O diabetes tipo 2 é uma condição que não se limita ao controle da glicose. Com o passar dos anos, ele provoca mudanças silenciosas no organismo que podem comprometer seriamente o sistema cardiovascular. O perigo não aparece de forma imediata, mas cresce de maneira progressiva, tornando-se uma ameaça invisível para o coração e os vasos sanguíneos.
Vasos sanguíneos sob pressão
Os vasos sanguíneos, que garantem a circulação de oxigênio e nutrientes, sofrem alterações graduais. Essa perda de flexibilidade e capacidade de resposta aumenta a probabilidade de hipertensão, entupimentos e, em casos mais graves, ataques cardíacos ou derrames.
O processo é lento, mas constante, e explica por que o risco cardiovascular se intensifica quanto mais tempo a pessoa convive com a doença.
Glóbulos vermelhos como agentes de dano

Um dos pontos mais surpreendentes é o papel dos glóbulos vermelhos. Normalmente vistos como aliados na oxigenação do corpo, eles podem se transformar em agentes de desgaste. Em pacientes recém-diagnosticados, essas células ainda funcionam de forma saudável. Porém, após vários anos, passam a apresentar propriedades que lesam diretamente os vasos sanguíneos, acelerando o risco de complicações.
Esse achado foi descrito pela pesquisadora Eftychia Kontidou, autora principal do estudo, que destacou como a duração da doença é determinante para o surgimento dessas alterações celulares.
A molécula que pode servir de biomarcador
Dentro dos glóbulos vermelhos, uma pequena molécula chamada microRNA-210 desempenha papel essencial. Quando equilibrada, ajuda a preservar a função vascular. Mas em pacientes com longa duração de diabetes tipo 2, seus níveis se alteram, contribuindo para a disfunção dos vasos.
O estudo publicado na revista científica Diabetes mostrou que restaurar o microRNA-210 pode melhorar a função vascular, sugerindo que essa molécula pode atuar como sinal precoce para identificar quem está mais vulnerável a complicações cardíacas.
Evidência científica detalhada
A pesquisa, divulgada em janeiro de 2026, acompanhou pacientes ao longo de vários anos e também utilizou modelos animais. O título do artigo é “A longa duração do diabetes tipo 2 leva à disfunção endotelial vascular induzida por eritrócitos: uma ligação com o miRNA-210-3p”. Os resultados confirmaram que não é apenas a presença da doença que importa, mas o tempo de convivência com ela.
O que isso significa para os pacientes
Na prática, o risco cardiovascular em pessoas com diabetes tipo 2 cresce silenciosamente com o passar dos anos, mesmo quando os níveis de glicose parecem controlados. Identificar biomarcadores como o microRNA-210 pode permitir intervenções mais eficazes, evitando que o dano vascular se instale de forma irreversível.
Portanto, o acompanhamento médico deve considerar não apenas o controle imediato da glicemia, mas também os efeitos cumulativos da doença ao longo do tempo.

