O que parece apenas silêncio sob a terra esconde, na verdade, uma intensa troca de informações. Cogumelos e outros fungos utilizam sinais elétricos organizados para se comunicar através de uma vasta rede subterrânea, conectando plantas, microrganismos e diferentes regiões da floresta. Essa descoberta muda a forma como entendemos a vida nos ecossistemas terrestres.
Diferentemente da ideia de organismos passivos, os fungos funcionam como sistemas ativos de processamento de dados biológicos. Estudos recentes publicados na Royal Society Open Science demonstraram que essas criaturas emitem pulsos elétricos estruturados, semelhantes a padrões de linguagem, capazes de transportar informações essenciais para a sobrevivência coletiva. Os pesquisadores identificaram três funções centrais dessa comunicação:
- Detecção de recursos, como água e nutrientes disponíveis no solo;
- Sinalização de ameaças, incluindo pragas, microrganismos invasores e mudanças químicas;
- Coordenação de crescimento, permitindo que diferentes partes da colônia se desenvolvam de forma sincronizada.
Quando o micélio vira um “cérebro distribuído”
O coração dessa comunicação está no micélio, um emaranhado de filamentos microscópicos que percorre o subsolo. Essa estrutura funciona de modo parecido com uma rede neural, transmitindo impulsos elétricos por longas distâncias. Assim, quando uma região detecta uma mudança ambiental, todo o sistema é rapidamente informado.

Além disso, os padrões desses sinais não são aleatórios. Eles apresentam ritmos, intervalos e combinações específicas, formando algo próximo a um vocabulário biológico. Algumas espécies chegam a demonstrar dezenas de variações de pulsos, cada uma associada a um tipo de resposta fisiológica.
Dialetos elétricos entre espécies
Embora o princípio da comunicação seja semelhante, cada fungo possui seu próprio estilo. Espécies como Schizophyllum commune exibem padrões altamente complexos, enquanto outras, como Cordyceps militaris, utilizam pulsos mais curtos e diretos. Isso sugere a existência de “dialetos elétricos”, adaptados às necessidades ecológicas de cada organismo.
Portanto, a floresta não é apenas um conjunto de árvores, mas sim um ambiente interconectado por fluxos invisíveis de informação. Os fungos atuam como mediadores, regulando o equilíbrio do solo, influenciando o crescimento das plantas e aumentando a resiliência do ecossistema frente a estresses ambientais. Dessa forma, compreender essa linguagem elétrica revela que a natureza opera como uma grande rede colaborativa. A vida, longe de ser isolada, depende de sistemas de comunicação silenciosos, porém extremamente sofisticados, que sustentam a dinâmica dos ambientes terrestres.

