Vacina contra herpes-zóster pode desacelerar o envelhecimento em idosos

Vacina contra herpes-zóster ajuda a frear envelhecimento. (Foto: Getty Images via Canva)
Vacina contra herpes-zóster ajuda a frear envelhecimento. (Foto: Getty Images via Canva)

À medida que os 70 anos se aproximam, mudanças sutis no corpo começam a aparecer. Fadiga frequente, recuperação mais lenta, pequenos lapsos de memória e maior vulnerabilidade a infecções dão a sensação de que o envelhecimento acelera. 

Pesquisadores, em estudo recente, descobriram que uma vacina amplamente utilizada contra herpes-zóster não apenas previne o “cobreiro”, mas também influencia diretamente marcadores biológicos de envelhecimento.

O que é o cobreiro e por que a vacina é importante?

O “cobreiro” é o nome popular da herpes-zóster, uma infecção causada pelo vírus da catapora que permanece adormecido nos nervos após a doença na infância. Com o envelhecimento, o vírus pode reativar, causando erupções dolorosas na pele, geralmente em uma faixa de um lado do corpo, acompanhadas de coceira, queimação e sensibilidade intensa. 

Em idosos, pode surgir ainda a nevralgia pós-herpética, uma dor persistente que prejudica a qualidade de vida. A vacina contra herpes-zóster é indicada justamente para prevenir essas complicações, e pesquisas recentes mostram que seus efeitos vão além da proteção contra a doença.

Como a vacina atua no organismo

Vacinação pode reduzir inflamação e proteger órgãos vitais. (Foto: Getty Images via Canva)
Vacinação pode reduzir inflamação e proteger órgãos vitais. (Foto: Getty Images via Canva)

O envelhecimento envolve processos complexos, como inflamação crônica, redução da imunidade e alterações celulares que impactam órgãos, cérebro e sistemas corporais. 

Segundo o estudo intitulado “Association between herpes-zóster vaccination and slower biological aging: Evidence from a US cohort study”, publicado em 2026 no The Journals of Gerontology, vacinar idosos pode desacelerar diversos aspectos do envelhecimento biológico.

Entre os processos beneficiados estão:

  • Inflamação: redução de substâncias inflamatórias que prejudicam células e tecidos
  • Sistema imunológico: melhora da imunidade inata e adaptativa
  • Função cardiovascular: maior proteção dos vasos sanguíneos e do coração
  • Neurodegeneração: desaceleração de alterações que impactam memória e coordenação
  • Alterações epigenéticas e transcriptômicas: lentificação das modificações genéticas relacionadas à idade

De acordo com o estudo, esses efeitos simultâneos podem gerar uma maior resiliência do organismo, refletindo em mais energia e disposição no dia a dia.

Benefícios prolongados

O acompanhamento dos participantes do estudo mostrou que os efeitos da vacinação se mantêm por anos, mesmo quatro anos após a aplicação. O DOI do artigo (10.1093/gerona/glag008) confirma que esses resultados não se limitam ao curto prazo, sugerindo que a vacina contra herpes-zóster pode ser uma ferramenta eficaz para promover um envelhecimento saudável de longo prazo.

Estratégias complementares para envelhecer bem

Além da vacinação, pequenas ações diárias podem potencializar os efeitos positivos:

  • Manter a vacinação em dia para prevenir doenças comuns da idade
  • Praticar exercícios regulares e equilibrar a alimentação
  • Monitorar a saúde cardiovascular e imunológica
  • Estimular memória e cognição por meio de atividades mentais

Essas medidas combinadas ajudam o corpo a manter suas funções vitais por mais tempo, complementando os efeitos biológicos da vacina. O estudo publicado no The Journals of Gerontology reforça a importância de estratégias preventivas que vão além da medicação, promovendo qualidade de vida e bem-estar prolongado.

Perspectivas futuras

Embora os resultados sejam promissores, ainda são necessárias pesquisas adicionais para entender os mecanismos precisos pelos quais a vacina exerce efeito antienvelhecimento. 

Futuras investigações poderão verificar se outras vacinas também apresentam impactos semelhantes, abrindo novas possibilidades para intervenções que promovam longevidade e saúde em idosos, conforme destacado por Jung Ki Kim e Eileen M Crimmins em sua pesquisa de 2026.

Rafaela Lucena é farmacêutica, formada pela UNIG, e divulgadora científica. Com foco em saúde e bem-estar, trabalha para levar informação confiável e acessível ao público de forma clara e responsável.