Polvos podem se tornar sucessores dos humanos na Terra, revela estudo

Polvos podem se tornar sucessores dos humanos na Terra futuramente (Imagem: Getty Images via Canva)
Polvos podem se tornar sucessores dos humanos na Terra futuramente (Imagem: Getty Images via Canva)

A vida na Terra é marcada por mudanças e reorganizações biológicas constantes. Pesquisas em biologia evolutiva, paleontologia e ecologia sugerem que, em um cenário sem humanos, algumas espécies altamente adaptáveis poderiam ocupar nichos ecológicos antes inacessíveis. Entre os candidatos mais notáveis estão os polvos, animais com cérebros relativamente grandes, comportamento exploratório e alta capacidade de aprendizado.

Estudos observacionais indicam que polvos já exibem comportamentos complexos que podem ser a base de futuras adaptações evolutivas:

  • Uso de objetos: Abrigos improvisados com conchas, pedras e detritos;
  • Exploração do ambiente: Movimentos rápidos e precisos para capturar alimento e escapar de predadores;
  • Cidades submersas: Concentrações densas em determinadas áreas, demonstrando organização territorial.

Essas características revelam grande flexibilidade comportamental, sugerindo que, ao longo de milhões de anos, sua inteligência poderia evoluir ainda mais, permitindo que ocupem espaços anteriormente inacessíveis, inclusive zonas costeiras e recifes degradados que se recuperariam sem interferência humana.

Como a evolução pode favorecer polvos no futuro?

A seleção natural e as mutações genéticas podem criar oportunidades para espécies adaptáveis em ambientes marinhos reorganizados. Alterações na fisiologia respiratória, como modificações nas brânquias e no sistema circulatório, poderiam permitir breves deslocamentos fora d’água. 

Inteligência e adaptação podem transformar polvos em protagonistas do planeta (Imagem: Getty Images via Canva)
Inteligência e adaptação podem transformar polvos em protagonistas do planeta (Imagem: Getty Images via Canva)

Além disso, ajustes na estrutura corporal, incluindo a musculatura e os tecidos moles, ajudariam a sustentar o corpo em superfícies sólidas. Paralelamente, a expansão ecológica possibilitaria a colonização de manguezais, zonas de maré e recifes, funcionando como verdadeiros corredores evolutivos para essas espécies.

Potencial para organização complexa

Além da adaptação física, polvos já demonstram uso de ferramentas e habilidades para construção de abrigos elaborados. No futuro, poderiam desenvolver estruturas mais sofisticadas no fundo do mar, intensificar a comunicação e criar sistemas que lembram uma tecnologia biológica baseada em elementos naturais, como conchas, rochas e corais.

Embora seja impossível prever com precisão, essa hipótese destaca que nenhuma espécie é permanente e que a vida na Terra é resiliente. Mudanças climáticas, impactos cósmicos e doenças podem alterar trajetórias evolutivas, permitindo que outras espécies também assumam papéis de destaque, reforçando o caráter transitório da presença humana no planeta.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.