Cangurus gigantes pré-históricos usavam saltos rápidos e membros reforçados para escapar de predadores

Cangurus gigantes conseguiam saltos curtos, revelam fósseis recentes (Imagem: Megan Jones/Scientific Reports/CC BY-SA 4.0)
Cangurus gigantes conseguiam saltos curtos, revelam fósseis recentes (Imagem: Megan Jones/Scientific Reports/CC BY-SA 4.0)

Durante muito tempo, os cangurus gigantes que habitaram a Era do Gelo foram vistos como criaturas lentas e pesadas, incapazes de saltar. No entanto, pesquisas recentes publicadas na revista Scientific Reports mostram que esses animais podiam realizar saltos curtos e potentes, graças à estrutura robusta de seus ossos e tendões das pernas.

O estudo analisou os membros posteriores de 94 cangurus modernos e 40 fósseis, incluindo espécies extintas do gênero Protemnodon, que poderiam pesar até 250 quilos. A equipe focou principalmente no quarto metatarso, um osso do pé crucial para o salto nos cangurus atuais e no calcanhar, onde se conecta o tendão de Aquiles. Principais descobertas em detalhes

  • Metatarsos fortes: Capazes de suportar o estresse físico gerado pelos saltos;
  • Calcanhares resistentes: Adequados para tendões grandes e poderosos, essenciais para impulsos curtos;
  • Locomoção estratégica: Saltos ocasionais eram usados em rajadas rápidas, provavelmente para escapar de predadores;
  • Eficiência energética: Devido ao porte elevado, o salto contínuo era inviável; a movimentação principal seguia outro padrão mais econômico.

Saltos ocasionais e sobrevivência

Fósseis mostram que cangurus pré-históricos não eram tão lentos (Imagem: Megan Jones/Scientific Reports/CC BY-SA 4.0)
Fósseis mostram que cangurus pré-históricos não eram tão lentos (Imagem: Megan Jones/Scientific Reports/CC BY-SA 4.0)

As comparações com cangurus modernos mostraram que, apesar de seu tamanho, os gigantes pré-históricos possuíam adaptações biomecânicas semelhantes às espécies atuais. Isso reforça a ideia de que a locomoção por saltos, mesmo que limitada, não estava fora de seu alcance.

A habilidade de realizar rajadas de salto teria sido crucial para evitar predadores como os Thylacoleo, felinos marsupiais extintos. Saltos curtos permitiam movimentos rápidos em situações de perigo, mostrando que o comportamento desses cangurus era muito mais dinâmico e adaptativo do que se imaginava.

Estudos como este ampliam nossa compreensão sobre a evolução dos marsupiais e ajudam a reconstruir ecossistemas antigos, destacando como grandes herbívoros interagiam com predadores e o ambiente. Ao analisar ossos e tendões, conseguimos imaginar com maior precisão a vida dos cangurus gigantes, capazes de realizar curtos saltos mesmo com sua impressionante massa corporal.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.