Sensação constante de alerta, dificuldade para relaxar, pensamentos acelerados e tensão que não desaparece nem em momentos de descanso fazem parte da rotina de muitas pessoas. Em um primeiro momento, esses sinais costumam ser atribuídos apenas ao excesso de compromissos ou ao estresse diário.
No entanto, quando a ansiedade passa a interferir no sono, no foco e no bem-estar emocional, o corpo pode estar indicando que o cérebro não está conseguindo regular suas respostas de forma eficiente.
O equilíbrio químico que mantém a mente sob controle
O funcionamento saudável do cérebro depende de um equilíbrio preciso entre estímulo e calma. Esse controle acontece por meio de neurotransmissores, substâncias responsáveis por transmitir sinais entre os neurônios. Alguns aceleram a atividade cerebral; outros funcionam como freios naturais.
Entre eles, o GABA tem papel central. Ele reduz a hiperatividade cerebral e ajuda a conter respostas exageradas ao estresse. Quando a produção de GABA é insuficiente, o cérebro tende a permanecer em estado de hiperalerta, favorecendo ansiedade, irritabilidade e dificuldade de relaxamento.
O papel essencial da vitamina B6 no cérebro

A vitamina B6, também chamada de piridoxina, é indispensável para a produção de neurotransmissores ligados ao controle emocional, como o GABA e a serotonina. Sem quantidades adequadas dessa vitamina, o cérebro encontra dificuldade para fabricar essas substâncias calmantes.
Na prática, isso significa que a deficiência de vitamina B6 pode reduzir a capacidade natural do cérebro de se autorregular, tornando a pessoa mais suscetível ao estresse intenso e à ansiedade persistente. Já níveis adequados contribuem para uma atividade cerebral mais estável e equilibrada.
O que os dados científicos indicam
Essa relação foi analisada em um estudo publicado em 2022 na revista científica Annals of Medicine and Surgery, com o título Vitamin B6: A new approach to lowering anxiety, and depression?. O trabalho teve como autora principal Duaa Durrani, com participação de Rahma Idrees, Hiba Idrees e Aayat Ellahi.
A análise indicou que a vitamina B6 exerce influência direta sobre os sistemas neuroquímicos envolvidos na ansiedade e no estresse, especialmente por favorecer a produção de neurotransmissores inibitórios, responsáveis por reduzir a excitação excessiva do cérebro.
Os autores destacaram que a suplementação de vitamina B6 esteve associada à redução de sintomas de ansiedade, sugerindo um papel protetor desse nutriente em quadros de estresse emocional elevado (DOI: 10.1016/j.amsu.2022.104663).
O que isso muda na prática
Esses achados não indicam que a vitamina B6 seja uma solução isolada para ansiedade severa ou depressão. No entanto, reforçam que nutrientes essenciais exercem impacto direto no funcionamento cerebral e na forma como o organismo lida com pressões emocionais.
Manter níveis adequados de vitamina B6 envolve uma alimentação equilibrada, com alimentos como grãos integrais, banana, batata, leguminosas e carnes. Em alguns casos, a suplementação orientada pode ser considerada, especialmente quando há deficiência comprovada.
Cuidar da saúde mental também passa por reconhecer que o cérebro depende de nutrição adequada para sustentar seus mecanismos naturais de equilíbrio, proteção e adaptação ao estresse cotidiano.

