Transição de La Niña para El Niño pode afetar clima do Brasil

La Niña termina e Pacífico esquenta, preparando El Niño 2026 (Imagem: NOAA)
La Niña termina e Pacífico esquenta, preparando El Niño 2026 (Imagem: NOAA)

O clima global está prestes a viver uma mudança marcante. Após semanas de temperaturas anormalmente baixas no Pacífico Equatorial, o fenômeno La Niña está se dissipando, dando início a uma fase de neutralidade que pode evoluir rapidamente para El Niño. Essa transição não é apenas oceânica: influencia chuvas, secas e até extremos de temperatura em diversas partes do mundo.

Nos últimos meses, La Niña se apresentou de forma curta e fraca, sem atingir intensidade moderada, mas sua saída já sinaliza efeitos importantes:

  • Niño 3.4: anomalia de -0,7 °C, caracterizando La Niña fraca;
  • Niño 1+2 (perto do Peru e Equador): -0,3 °C, podendo impactar o volume de chuvas no Sul do Brasil;
  • Duração limitada: apenas 14 semanas em faixa de La Niña, reforçando a transitoriedade do episódio.

La Niña perde força com aquecimento submerso do Pacífico

O fenômeno está chegando ao fim devido a uma onda Kelvin quente submersa que se desloca pelo Pacífico ao longo da termoclina, a camada que separa águas superficiais mais quentes do fundo frio. Esse processo reduz a força da água fria que mantém a La Niña ativa, eleva gradualmente as águas quentes à superfície e provoca alterações nos ventos e nos padrões de precipitação globais, sinalizando a neutralidade e a possível formação de El Niño. 

Fim da La Niña sinaliza transição para El Niño global (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT)
Fim da La Niña sinaliza transição para El Niño global (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT)

O cenário mais provável é que a neutralidade se consolide em fevereiro, abrindo caminho para o El Niño ao longo do outono e inverno de 2026, embora ainda seja cedo para determinar sua intensidade, não podendo ser descartado um episódio forte.

Impactos climáticos esperados

O ciclo El Niño-Oscilação Sul (ENOS) influencia diferentes regiões do planeta de maneiras variadas. No Sul do Brasil, ele costuma reduzir o volume de chuva, aumentar a ocorrência de estiagens e provocar ondas de calor ou frio fora do período habitual. Já no Norte e Nordeste, há tendência de chuvas acima da média, com potencial benefício para a agricultura. 

Em escala global, enquanto La Niña tende a reduzir levemente a temperatura média, o El Niño reforça o aquecimento do planeta. Mesmo eventos curtos, como o atual, demonstram que pequenas alterações submersas no oceano podem modificar padrões climáticos, com grande impacto econômico e social, reforçando a necessidade de monitoramento constante do Pacífico para planejamento hídrico, agrícola e prevenção de desastres.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.