O Oceano Atlântico Norte está passando por alterações significativas, com aumento das temperaturas e expansão da atividade humana. Essas mudanças afetam diretamente os ecossistemas marinhos, alterando a disponibilidade de alimento e a distribuição das espécies. Um estudo recente publicado na Frontiers in Marine Science analisou como três espécies de baleias-de-barbatana (baleia-fin, jubarte e minke) adaptaram sua dieta ao longo de 28 anos, no Golfo de São Lourenço (GSL), uma área sazonalmente importante para alimentação dessas espécies.
O estudo revelou que, diante da escassez de krill ártico, as baleias passaram a consumir mais peixes pelágicos, demonstrando que a coexistência entre espécies pode ser possível mesmo em condições de competição intensa.
- Espécies estudadas: baleia-fin, jubarte, baleia-minke;
- Período de coleta de dados: 1992–2019;
- Número de amostras analisadas: 1.110 amostras de pele;
- Método de análise: isótopos estáveis de nitrogênio e carbono.
Estratégias alimentares e compartilhamento de recursos
Os pesquisadores identificaram padrões interessantes de sobreposição de nicho entre as espécies:
- Baleias-minke: maior sobreposição com outras espécies, compartilhando 65% do nicho na década de 2000 e 47% na década de 2010;
- Baleias-jubarte: compartilhamento reduzido ao longo do tempo, de 56% para 9%;
- Baleias-fin: compartilham apenas com as baleias-minke, com diminuição de 42% para 29%.

Esses dados indicam que, conforme os recursos se tornam escassos, as baleias diversificam sua alimentação ou alteram áreas e horários de caça, reduzindo a competição direta.
Além disso, todas as espécies estudadas passaram a consumir mais peixes, como capelim, arenque, cavala e lançon, enquanto a dependência de krill diminuiu gradualmente. Essa mudança evidencia a plasticidade alimentar das baleias, permitindo sua sobrevivência em um ecossistema em transformação.
Estratégias essenciais para proteger baleias e manter ecossistemas marinhos
O estudo reforça que a proteção de habitats e fontes de alimento é tão crucial quanto a conservação das próprias espécies. A análise de isótopos permite compreender as dietas das baleias, mas ainda existem desafios para determinar a importância relativa de cada presa.
Para garantir a coexistência sustentável das baleias no Golfo de São Lourenço, é fundamental monitorar continuamente a disponibilidade de presas, criar áreas marinhas protegidas estratégicas e integrar os dados de nicho trófico na gestão da pesca. Essas medidas são essenciais para que os ecossistemas marinhos continuem a oferecer recursos suficientes, evitando conflitos entre espécies e promovendo uma coexistência saudável, mesmo diante das rápidas mudanças climáticas.

