O Universo guarda segredos que nossos telescópios terrestres ainda não conseguem revelar. Apesar de já termos capturado imagens de dois buracos negros supermassivos, M87* e Sagitário A*, dezenas de outros permanecem fora de alcance devido aos limites da tecnologia atual. A solução pode estar no lado oculto da Lua, longe do ruído de rádio da Terra, oferecendo uma janela limpa para o cosmos.
Observar em ondas de rádio é muito diferente da luz visível. Como essas ondas são milhares de vezes maiores, obter imagens de alta resolução exige estruturas gigantescas, impossíveis de construir de forma convencional. Por isso, astrônomos combinam múltiplos radiotelescópios em redes, usando interferometria para simular um telescópio virtual do tamanho da Terra. Ainda assim, a maioria dos buracos negros permanece invisível.
- Radiotelescópios terrestres exigiriam até 10 km de diâmetro para resolver detalhes mínimos;
- A interferometria permite criar “telescópios virtuais” unindo antenas espalhadas pelo mundo;
- M87* e Sagitário A* são mais fáceis de observar por possuírem tamanho aparente maior e brilho intenso.
Lua como chave para o avanço astronômico
O lado oculto da Lua é praticamente silencioso em termos de ondas de rádio, o que permite que sinais extremamente fracos de buracos negros distantes sejam captados com muito mais clareza do que na Terra.

Estudos recentes apontam diversas possíveis localizações para radiotelescópios lunares, incluindo dois pontos no lado oculto, dois no lado visível e um no polo sul lunar. Essa distribuição estratégica permitiria que os telescópios acompanhassem objetos celestes de forma contínua, aproveitando a órbita da Lua ao redor da Terra.
Como a combinação de antenas lunares e terrestres mudará a astronomia
Ao combinar antenas na Lua com telescópios terrestres, seria possível criar um telescópio virtual gigantesco, alcançando resoluções abaixo de 1 microssegundo de arco. Isso abriria a oportunidade de observar quase 30 buracos negros, desde o centro da Galáxia de Andrômeda até Cyg A*, revelando a luz ao redor de seus horizontes de eventos com detalhes sem precedentes.
Apesar de ainda estarmos a décadas de instalar radiotelescópios na Lua, os potenciais avanços científicos são enormes. Além de capturar buracos negros antes invisíveis, esses observatórios poderiam revolucionar a astronomia de alta resolução, abrindo um novo capítulo na exploração do Universo extremo.

