Uma descoberta arqueológica extraordinária em Sulawesi, Indonésia, revelou o estêncil de mão mais antigo do mundo, datado de pelo menos 67.800 anos. Essa obra, preservada em cavernas calcárias na ilha de Muna, não apenas redefine a cronologia da arte rupestre, mas também fornece pistas cruciais sobre a migração de humanos modernos rumo à Austrália.
A pesquisa foi liderada por uma equipe internacional envolvendo a Universidade Griffith, o BRIN da Indonésia e a Universidade Southern Cross, e publicada na revista Nature em 2026. A análise por séries de urânio permitiu datar os depósitos minerais sobre e sob as pinturas, garantindo a precisão científica.
O que torna essa arte tão única?
A caverna de Muna apresenta pinturas produzidas ao longo de milhares de anos, sugerindo um uso artístico contínuo por pelo menos 35.000 anos. Entre os destaques:
- Estêncil de mão fragmentado com dedos deliberadamente estreitados, criando uma forma quase de garra;
- Pinturas mais recentes ao redor do estêncil, mostrando a evolução da expressão artística ao longo do tempo;
- Motivos únicos que não têm paralelo conhecido em outras regiões do mundo.

Essa continuidade indica que Sulawesi abrigava uma das culturas artísticas mais antigas e ricas do planeta, intimamente ligada aos primeiros populadores de Sahul, massa de terra que abrangia Austrália, Tasmânia e Nova Guiné durante o Pleistoceno.
Descoberta em Sulawesi mapeia caminho dos primeiros humanos à Austrália
A descoberta reforça o modelo de cronologia longa, segundo o qual os ancestrais dos australianos indígenas chegaram a Sahul há pelo menos 65.000 anos. Os pesquisadores sugerem duas possíveis rotas migratórias:
- Rota norte: através de Sulawesi e Ilhas das Especiarias, até a Nova Guiné;
- Rota sul: via Timor ou ilhas adjacentes, diretamente para a Austrália.
O estêncil de Sulawesi oferece a primeira evidência direta da presença humana nesse corredor migratório, confirmando que os artistas pré-históricos faziam parte da população que depois se espalharia pelo continente australiano.
Arte, simbolismo e legado cultural
Além da técnica e da idade, o estêncil sugere conexões simbólicas profundas entre humanos e animais, visíveis em outras pinturas da região. Este achado amplia a compreensão sobre as raízes da cultura aborígine australiana e indica que a arte já desempenhava papel fundamental na vida social e simbólica de comunidades humanas primitivas.A pesquisa continua, com expedições planejadas para explorar outras ilhas entre Sulawesi e Nova Guiné, buscando mais evidências da primeira expressão artística da humanidade na região.

