5 estratégias para reduzir o vício em celular e proteger a saúde mental

Reduza estímulos visuais do celular para menos dopamina. (Foto: Pixelshot via Canva)
Reduza estímulos visuais do celular para menos dopamina. (Foto: Pixelshot via Canva)

O uso excessivo de smartphones se tornou uma preocupação global, não apenas por afetar a produtividade, mas também por gerar impactos significativos na saúde mental e física. Um estudo recente conduzido por Zhu et al., publicado na revista Frontiers in Psychiatry (2025) revelou que a dependência de celular está associada à desregulação dopaminérgica, dificuldade de autocontrole e até problemas de sono, indicando que o vício vai além de um simples hábito e tem efeitos neurológicos concretos.

Diante disso, adotar estratégias práticas para reduzir o tempo de tela é essencial. A seguir, cinco passos baseados na neurociência podem ajudar a tornar o celular menos viciante e a proteger sua saúde mental.

Como reduzir a dependência do celular e proteger o cérebro

Configure alertas para limitar notificações constantes. (Foto: Getty Images via Canva)
Configure alertas para limitar notificações constantes. (Foto: Getty Images via Canva)

O uso contínuo do smartphone estimula circuitos de recompensa no cérebro, semelhantes aos observados em vícios como jogos ou açúcar, impactando sono, humor e autocontrole. A seguir, apresentamos cinco estratégias respaldadas por pesquisas científicas para reduzir o uso compulsivo do celular e preservar seu bem-estar físico e mental:

1. Transforme a tela em algo visualmente neutro

Notificações e aplicativos coloridos estimulam o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina e reforçando o uso constante. Uma medida simples é ativar o modo preto e branco (grayscale) no smartphone. Essa alteração reduz a atratividade visual e ajuda a diminuir o impulso automático de checar o aparelho.

2. Crie barreiras de acesso

O estudo de Zhu et al. destaca que a dependência está ligada à facilidade de recompensas rápidas. Mover os aplicativos mais viciantes para pastas ou telas secundárias, desativar notificações e usar apps que introduzem pequenos atrasos na abertura cria microbarreiras, dando tempo para o córtex pré-frontal intervir e controlar impulsos automáticos.

3. Estabeleça horários específicos

Definir períodos em que o celular não será utilizado ajuda a regular o comportamento compulsivo. Por exemplo, criar momentos sem tecnologia durante refeições, antes de dormir ou ao acordar pode reduzir o efeito cumulativo da exposição contínua às telas e melhorar a qualidade do sono, diretamente impactada pelo uso excessivo, como apontado no estudo.

4. Substitua o uso automático por hábitos saudáveis

Quando a vontade de acessar o celular surge por tédio ou estresse, substitua o comportamento por atividades que promovam regulação do sistema nervoso, como caminhada, respiração profunda ou alongamentos. Esse processo ensina o cérebro a encontrar prazer sem depender da dopamina liberada pelo smartphone.

5. Monitore seu progresso

Aplicativos de monitoramento de uso ou diários digitais ajudam a criar consciência sobre o tempo gasto no celular, tornando o usuário mais atento aos padrões de comportamento. Essa prática auxilia na reeducação cerebral e na redução gradual do vício.

O estudo de Zhu et al., 2025, Frontiers in Psychiatry evidencia que a dependência de smartphones não é apenas psicológica, mas envolve alterações neuroquímicas que afetam autocontrole e qualidade do sono

Aplicando estratégias simples de redução do estímulo, criação de barreiras, substituição de hábitos e monitoramento, é possível reverter parte desses efeitos, promovendo bem-estar físico e mental.

Rafaela Lucena é farmacêutica, formada pela UNIG, e divulgadora científica. Com foco em saúde e bem-estar, trabalha para levar informação confiável e acessível ao público de forma clara e responsável.