Seis planetas vão “se alinhar” no céu e criar um espetáculo raro em fevereiro

Seis planetas formam um arco raro no céu logo após o pôr do Sol (Imagem: Getty Images via Canva)
Seis planetas formam um arco raro no céu logo após o pôr do Sol (Imagem: Getty Images via Canva)

No fim de fevereiro, o céu vai oferecer um dos eventos mais interessantes da astronomia observacional: um chamado alinhamento planetário, em que vários planetas aparecem distribuídos ao longo de uma mesma faixa do firmamento logo após o pôr do Sol. Embora o termo seja popular, o fenômeno é, na prática, um efeito de perspectiva, causado pela forma como os planetas orbitam o Sol quase no mesmo plano.

O resultado visual é um verdadeiro “desfile de planetas”, com Mercúrio, Vênus, Saturno, Júpiter, Urano e Netuno surgindo como pontos brilhantes alinhados em um arco suave no céu do início da noite. Esse tipo de configuração não é comum e chama atenção tanto de astrônomos quanto do público em geral, especialmente por ocorrer em um horário acessível, sem necessidade de madrugar. Em termos práticos, o que caracteriza esse evento:

  • Os planetas aparecem concentrados em uma mesma região do céu;
  • A observação é possível logo após o anoitecer;
  • Parte dos astros pode ser vista sem equipamentos;
  • O fenômeno se estende por vários dias, com variações sutis.

O que realmente significa “alinhamento” no espaço?

Apesar do nome, os planetas não estão alinhados fisicamente no espaço tridimensional. O que ocorre é um alinhamento aparente quando observados da Terra, porque todos transitam pela eclíptica, a faixa celeste correspondente ao plano orbital do Sistema Solar. Assim, eles parecem próximos entre si, mesmo estando separados por milhões ou bilhões de quilômetros.

Esse tipo de configuração é importante do ponto de vista educacional, pois ajuda a compreender conceitos como movimento orbital, perspectiva astronômica e a própria estrutura do Sistema Solar.

Quais planetas poderão ser vistos a olho nu?

Durante o evento, quatro planetas se destacam sem instrumentos ópticos. O mais brilhante será Vênus, seguido por Júpiter, facilmente identificável mesmo em áreas urbanas. Saturno aparece com brilho intermediário, enquanto Mercúrio é o mais difícil de localizar, devido à sua proximidade com o Sol e curta janela de visibilidade.

Urano e Netuno exigem binóculos ou telescópio, pois possuem brilho fraco e se confundem com as estrelas de fundo.

Onde olhar e qual o melhor horário?

Logo após o pôr do Sol, os planetas surgem formando um arco de oeste para leste ao longo da eclíptica. No Hemisfério Sul, esse arco aparece inclinado, com maior elevação voltada para o norte do céu.

À medida que a noite avança, os planetas próximos ao horizonte se põem primeiro, enquanto Júpiter permanece visível por mais tempo, encerrando o espetáculo.Portanto, a principal recomendação é simples: comece a observar assim que o céu escurecer, busque um local com horizonte livre e aproveite um dos eventos astronômicos mais impactantes visualmente do período.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua na educação científica e como divulgador, com o compromisso de traduzir descobertas complexas, das microbactérias aos grandes ecossistemas, em conhecimento acessível para todos.Ver perfil no LinkedIn