Pesquisadores brasileiros encontram fóssil de caranguejo de 85 milhões de anos

Equipe brasileira descobre caranguejo fóssil de 85 milhões de anos na Ilha James Ross. (Imagem: Reprodução/Instagram/ @paleoantar)

Imagine descobrir um caranguejo pré-histórico praticamente intacto, capaz de revelar segredos de um planeta muito diferente do que conhecemos hoje. Foi exatamente isso que aconteceu na Ilha James Ross, na Antártica, onde pesquisadores brasileiros encontraram o fóssil de Sabellidromites santamarta, um caranguejo que viveu há cerca de 85 milhões de anos. Além disso, o achado está ajudando a reconstruir a história da vida marinha no período Cretáceo.

Um fóssil raro que desafia expectativas

  • Fóssil encontrado durante a 41ª Operação Antártica Brasileira, com 32 dias de isolamento;
  • Preservação excepcional do ventre e das patas traseiras;
  • Pertence à família Dynomenidae, considerada relicta, com poucas espécies viventes;
  • Publicado na revista Journal of Paleontology, integrando o projeto Paleontar;
  • Colaboração de Museu Nacional/UFRJ, Unesp, Ufes e USP, com apoio logístico da Marinha do Brasil.

A descoberta ocorreu em condições extremas, com ventos de até 70 km/h. Em entrevista à Superinteressante, Daniel Lima, paleontólogo da Universidade Regional do Cariri (Urca) e primeiro autor do estudo, explicou:

“Ele está bem preservado, incluindo partes raras como o ventre e as patas traseiras, detalhes dificilmente encontrados em fósseis de caranguejos”, Daniel Lima, paleontólogo

O caranguejo pertence à família Dynomenidae, considerada relicta, com poucas espécies viventes hoje. Isso porque essas espécies já foram muito mais diversas no passado.

Conexões entre Gondwana e Laurásia

Daniel Lima em ação durante a coleta de fósseis na Antártica, registrado por colega de missão. (Imagem: Reprodução/Instagram/ @paleoantar)

Até então, fósseis semelhantes eram encontrados quase exclusivamente em regiões ligadas à Laurásia, antigo bloco continental do Hemisfério Norte. O achado na Antártica, que fazia parte de Gondwana, indica uma distribuição geográfica mais ampla. Portanto, houve conexões marinhas capazes de permitir a troca de espécies entre hemisférios. Como explicou Daniel Lima:

“Isso indica que houve conexões marinhas capazes de permitir a troca de espécies entre os hemisférios do planeta”

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Desafios e importância da missão

A coleta exigiu logística complexa, incluindo deslocamentos de navio e helicóptero, além de estadia em barracas especiais. Sendo assim, a participação da Marinha do Brasil foi decisiva. Dessa maneira, os pesquisadores garantiram a segurança e o sucesso da operação.

O estudo revisou a classificação do gênero Sabellidromites, confirmando características anatômicas típicas de Dynomenidae, como placas calcificadas na cauda e redução da quinta pata. Com isso, o fóssil se torna referência para entender a evolução e dispersão desses crustáceos.

Cabe ressaltar que os próximos passos incluem comparação com espécies do Hemisfério Norte e pesquisas sobre quantas espécies semelhantes habitaram a Antártica e por quais rotas marinhas chegaram. Desse jeito, este fóssil não apenas revela a fauna antiga, mas também abre novas perspectivas sobre a história da vida no planeta.

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Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.

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