Imagine um mundo rochoso, com dimensões quase idênticas às da Terra, orbitando uma estrela parecida com o Sol e situado em uma região onde a temperatura permitiria a existência de água líquida. Esse cenário, que por décadas pertenceu apenas à ficção científica, acaba de ganhar um novo candidato real no catálogo da astronomia moderna.
O planeta, chamado HD 137010 b, foi identificado por meio de análises astronômicas de alta precisão e descrito em um estudo publicado na revista Astrophysical Journal Letters. Ele está localizado a aproximadamente 150 anos-luz de distância, dentro da nossa própria galáxia, e apresenta um tamanho apenas 6% maior que o da Terra, o que o coloca na categoria dos chamados exoplanetas rochosos. O HD 137010 b se destacou por reunir características pouco comuns:
- Dimensões muito próximas às da Terra;
- Órbita dentro da zona habitável da estrela;
- Potencial teórico para manter água líquida;
- Perfil térmico semelhante ao de Marte.
O papel da água na busca por vida fora da Terra
Na astronomia, a zona habitável é a faixa de distância ao redor de uma estrela onde as condições permitem, em teoria, que a água exista em estado líquido na superfície de um planeta. Esse critério é considerado essencial porque, até onde se sabe, toda forma de vida conhecida depende da água para sobreviver.
No caso do HD 137010 b, sua posição orbital faz com que ele receba menos de um terço da energia que a Terra recebe do Sol. Além disso, sua estrela é um pouco mais fria e menos luminosa, o que reduz ainda mais o aquecimento da superfície.
Como consequência, os modelos climáticos indicam que a temperatura máxima estimada para o planeta gira em torno de -68 °C, valor muito próximo da média de Marte. Isso não descarta completamente a presença de água líquida, mas sugere que ela dependeria fortemente da composição da atmosfera, da pressão superficial e da presença de gases capazes de reter calor.
Habitável não é o mesmo que habitado
Por enquanto, o HD 137010 b ainda é classificado como um candidato, pois precisa de novas observações para ter sua existência confirmada de forma definitiva. Esse cuidado é fundamental, já que sinais iniciais podem ser influenciados por ruídos instrumentais ou variações naturais da própria estrela.
Mesmo assim, os pesquisadores estimam que exista cerca de 50% de chance de o planeta ser habitável, considerando apenas critérios físicos básicos. Em termos científicos, isso significa que ele não viola as condições mínimas conhecidas para a existência de vida baseada em água.Portanto, embora esteja longe de ser um “novo lar” para a humanidade, o HD 137010 b se soma a um grupo cada vez maior de mundos que reforçam uma hipótese poderosa: planetas potencialmente habitáveis podem ser comuns na Via Láctea e a Terra talvez não seja tão única quanto sempre imaginamos.

