Novo app de IA revela pegadas de dinossauros e aves mais antigas do mundo

IA revela pegadas de dinossauros e as aves mais antigas do mundo (Imagem: Getty Images via Canva)
IA revela pegadas de dinossauros e as aves mais antigas do mundo (Imagem: Getty Images via Canva)

Um avanço tecnológico surpreendente está trazendo o passado à vida: um aplicativo de inteligência artificial, chamado DinoTracker, agora consegue identificar qual dinossauro deixou determinada pegada fossilizada, oferecendo uma precisão comparável à de especialistas humanos. Mais impressionante ainda, algumas dessas análises sugerem a presença das aves mais antigas do mundo, com mais de 200 milhões de anos.

A ferramenta combina aprendizado de máquina com fotogrametria, permitindo que qualquer pessoa, seja pesquisador ou entusiasta, envie uma foto de uma pegada para receber uma análise detalhada. Esses rastros pré-históricos contêm informações valiosas sobre comportamento, locomoção e interação de espécies antigas.

Como a IA transforma a paleontologia?

O DinoTracker utiliza algoritmos avançados treinados em 2.000 pegadas fósseis reais e milhões de exemplos simulados, considerando variações naturais como compressão e deslocamento das bordas ao longo do tempo. O sistema identifica características específicas, incluindo:

  • Distância e separação entre os dedos;
  • Posição do calcanhar e distribuição de peso;
  • Área de contato com o solo;
  • Formato geral da pegada.

Após análise, o aplicativo compara as pegadas com registros conhecidos, indicando o possível autor do rastro. Em testes, sua precisão atingiu cerca de 90%, mesmo em casos complexos ou controversos.

Descobertas que mudam a história das aves

Entre os achados mais significativos estão pegadas que se assemelham a pés de aves antigas, sugerindo que essas espécies podem ter surgido muito antes do imaginado. Além disso, rastros da Ilha de Skye, na Escócia, revelaram informações inéditas sobre dinossauros bico-de-pato primitivos, ampliando nosso entendimento da diversidade pré-histórica.

Além de facilitar pesquisas avançadas, a tecnologia torna a paleontologia acessível ao público, permitindo que qualquer pessoa colabore na identificação de fósseis. O estudo, publicado na PNAS e conduzido por pesquisadores da Universidade de Edimburgo e do Helmholtz-Zentrum, demonstra como IA e ciência podem se unir para revelar segredos da evolução.

O DinoTracker abre novas possibilidades para estudar movimentação, comportamento e evolução de dinossauros, ao mesmo tempo que oferece evidências de quando grandes grupos, como as aves, surgiram. Esta ferramenta mostra que o futuro da pesquisa paleontológica pode estar tão na palma da mão quanto em fósseis com milhões de anos.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.