Ondas de calor, secas prolongadas e ventos intensos não são mais exceções: tornaram-se parte de um novo padrão climático. Um estudo recente conduzido pela World Weather Attribution concluiu que as mudanças climáticas induzidas pela ação humana criaram as condições ideais para os incêndios florestais devastadores registrados em 2026 no Chile e no sul da Argentina. Em termos científicos, o aquecimento global aumentou drasticamente a probabilidade de ocorrência desses eventos extremos.
De forma geral, os pesquisadores estimam que as condições climáticas associadas aos incêndios no Chile se tornaram cerca de 200% mais prováveis, enquanto na Patagônia argentina o risco aumentou em aproximadamente 150%, quando comparado a um cenário sem aquecimento global. Além disso, a tendência é de agravamento contínuo caso as emissões de gases de efeito estufa não sejam reduzidas. Alguns fatores-chave ajudam a entender por que esses incêndios foram tão intensos:
- Temperaturas acima da média histórica;
- Redução significativa das chuvas sazonais;
- Baixa umidade do solo e da vegetação;
- Presença de espécies vegetais altamente inflamáveis.
Esses elementos atuam de forma integrada, criando um ambiente altamente instável. Em outras palavras, florestas mais quentes e secas funcionam como um verdadeiro combustível natural.
Quando o clima transforma ecossistemas em áreas de risco
No sul da América do Sul, os dados indicam recordes de calor e longos períodos sem precipitação. Em algumas cidades da Patagônia, foram observadas temperaturas próximas de 40 °C, associadas a sequências inéditas de dias quentes consecutivos. Paralelamente, a redução das chuvas entre novembro e janeiro comprometeu o equilíbrio hídrico dos ecossistemas.
Com isso, a vegetação passou a apresentar estresse fisiológico, tornando-se mais vulnerável à ignição e à propagação do fogo. O problema é agravado pela substituição de florestas nativas por plantações homogêneas de pinheiros e outras espécies exóticas, que possuem maior teor de resinas inflamáveis.
Os incêndios resultaram em dezenas de mortes, milhares de desabrigados e a destruição de dezenas de milhares de hectares de florestas, incluindo áreas protegidas e ecossistemas milenares. Além do impacto ambiental imediato, há consequências de longo prazo, como:
- Perda de biodiversidade;
- Degradação do solo;
- Aumento da emissão de carbono;
- Comprometimento do turismo e da economia local.
O papel das políticas públicas na crise climática
Embora o clima seja o fator central, a capacidade de resposta institucional também influencia a dimensão do desastre. Investimentos em monitoramento climático, brigadas especializadas e prevenção ambiental demonstram reduzir impactos. Por outro lado, cortes orçamentários e desregulamentação ambiental ampliam a vulnerabilidade das regiões afetadas.
Assim, os incêndios de 2026 não foram apenas acidentes naturais. Eles representam um sinal claro de como o aquecimento global está reconfigurando os riscos ambientais, transformando eventos raros em fenômenos cada vez mais frequentes, intensos e difíceis de controlar.

