Em meio ao vasto universo, galáxias nem sempre têm liberdade para crescer. Um novo conjunto de análises do Deep Extragalactic Visible Legacy Survey (DEVILS) mostra que regiões cósmicas densamente povoadas funcionam como verdadeiros “congestionamentos galáticos”, reduzindo o acesso ao gás frio, essencial para formar novas estrelas. Assim, quanto mais lotado o ambiente, mais difícil se torna evoluir.
Essas conclusões surgem após dez anos de observações, que permitiram mapear como a densidade ambiental controla o destino de cada galáxia. Para facilitar a compreensão, os resultados indicam:
- Menos gás disponível: colisões, choques e pressões removem ou aquecem o gás;
- Formação estelar mais lenta: galáxias densas “apagaram” mais cedo;
- Evolução divergente: vizinhanças lotadas criam galáxias mais vermelhas e inativas;
- Diferenças estruturais claras: massa, cor e forma mudam conforme o ambiente.
Como ambientes hostis travam a formação de estrelas
Regiões densas, como aglomerados e grupos galácticos, exercem efeitos poderosos sobre o suprimento de gás. Processos como arrancamento por pressão de impacto e interações de maré fragmentam ou expulsam o material que alimenta a formação estelar. Com menos combustível, galáxias inicialmente ricas em gás tornam-se sistemas vermelhos e quiescentes, perdendo gradualmente a capacidade de criar novas estrelas.

O levantamento analisou galáxias em um período de cinco bilhões de anos, mostrando que o ambiente molda a evolução de forma profunda. Galáxias isoladas mantiveram crescimento mais estável, enquanto as que viveram em regiões densas envelheceram mais rápido e mudaram de forma mais intensa. A densidade local, portanto, funciona como um dos fatores determinantes da trajetória evolutiva.
Vizinhanças densas x galáxias solitárias: dois caminhos distintos
Ao comparar sistemas isolados com galáxias em aglomerados, o estudo mostra uma diferença marcante nas taxas de desenvolvimento. Em regiões lotadas, a formação estelar cai de maneira drástica e contínua. Já galáxias solitárias preservam seu gás por mais tempo, mantendo uma evolução mais lenta, porém mais ativa.
Com a chegada do levantamento WAVES, que analisará um número ainda maior de ambientes e galáxias, modelos de evolução cósmica devem ganhar precisão inédita. A expectativa é desvendar com mais clareza como o meio ambiente determina o destino das estruturas que compõem o universo.

