O céu desta quarta-feira (18/02) reserva um espetáculo pouco frequente até mesmo para astrônomos experientes. Em um alinhamento extremamente preciso, a Lua cruza a mesma linha de visão de Mercúrio e faz com que o planeta desapareça temporariamente do campo de observação. Esse fenômeno recebe o nome de ocultação lunar e pode ser entendido como um tipo especial de eclipse envolvendo planetas.
Diferente de eventos comuns, como fases da Lua ou chuvas de meteoros, a ocultação depende de uma coincidência geométrica quase perfeita entre três corpos: Terra, Lua e Mercúrio. Por esse motivo, apenas observadores localizados em regiões específicas do planeta conseguem testemunhar o fenômeno completo. Principais características do evento:
- Mercúrio fica totalmente escondido atrás da Lua;
- O desaparecimento dura cerca de 30 minutos no momento máximo;
- A visibilidade depende da posição geográfica do observador;
- Pode ser visto com binóculos, telescópios ou até a olho nu.
A geometria invisível do Sistema Solar
A explicação para esse tipo de evento está no chamado plano da eclíptica, uma faixa imaginária no céu onde a maioria dos planetas se movimenta. Como a órbita da Lua acompanha aproximadamente esse mesmo plano, ocasionalmente ela passa exatamente em frente a outros corpos celestes.
No caso de Mercúrio, isso é ainda mais raro. O planeta orbita muito próximo do Sol, o que faz com que esteja quase sempre imerso no brilho solar. Em geral, ele só é visível pouco antes do amanhecer ou logo após o pôr do Sol, tornando qualquer alinhamento especial ainda mais difícil de observar.
Mesmo fora das áreas onde ocorre a ocultação total, o público pode perceber a conjunção, quando Lua e Mercúrio aparecem extremamente próximos no céu, separados por poucos minutos de arco.
Brilho, magnitude e limitações visuais
Astronomicamente, a Lua é um dos objetos mais brilhantes do céu, apresentando magnitude aparente negativa. Mercúrio, apesar de pequeno, também se destaca pelo brilho relativamente intenso quando observado nas condições corretas.
Entretanto, como o fenômeno ocorre próximo ao horizonte, o principal obstáculo é a luminosidade do céu ao entardecer. Por isso, instrumentos ópticos simples, como binóculos, aumentam bastante a chance de sucesso na observação.
Mercúrio não é apenas um ponto de luz
Apesar de parecer um astro inerte, Mercúrio possui uma característica surpreendente: uma cauda formada por partículas liberadas de sua superfície, semelhante às caudas de cometas. Essa estrutura surge porque a intensa radiação solar arranca átomos do planeta, formando uma espécie de exosfera.
Segundo dados da NASA, essa camada é composta por elementos como sódio, potássio, oxigênio e hidrogênio, revelando que mesmo o menor planeta do Sistema Solar é extremamente dinâmico.Além desse evento, a Lua ainda protagoniza outros alinhamentos ao longo do mês, aproximando-se visualmente de Saturno e Júpiter, reforçando como o céu funciona como um sistema em constante movimento e interação.

