Imagine uma cena de violência extrema ocorrida há milhares de anos, em plena Idade da Pedra. Foi exatamente isso que arqueólogos revelaram ao estudar a caverna El Mirador, no norte da Espanha. Pesquisadores encontraram restos de pelo menos 11 pessoas canibalizadas há cerca de 5.600 anos, sugerindo um evento de conflito brutal.
Principais pontos da descoberta
- Restos de 11 indivíduos foram encontrados na caverna El Mirador;
- Ossos apresentavam marcas de cortes, mordidas humanas e fraturas;
- Evidências apontam para cozimento e fervura dos restos;
- Vítimas eram adultos, adolescentes e crianças;
- Não há sinais de ritual funerário ou fome extrema;
- Indício de conflito entre comunidades agrícolas vizinhas.
Ossos com evidências de canibalismo

Os esqueletos pertenciam a adultos, adolescentes e crianças, e apresentavam sinais claros de esfolamento, descarnamento, fraturas para retirada de medula e até fervura. Além disso, os ossos mostravam marcas de mordidas humanas, o que reforça a hipótese de canibalismo.
Segundo o estudo (publicado na Scientific Reports), o massacre pode ter ocorrido em apenas alguns dias, sendo assim, os especialistas afastaram a ideia de que se tratasse de um ritual ou de um período de fome extrema.
“Não se tratava de uma tradição funerária nem de uma resposta à fome extrema. As evidências apontam para um episódio violento, possivelmente resultado de um conflito entre comunidades agrícolas vizinhas”, explicou o pesquisador Francesc Marginedas.
Por que comer os inimigos?
Essa pergunta intriga os arqueólogos. O canibalismo, nesse caso, não parece ter ligação com rituais religiosos nem com necessidade alimentar.
Os pesquisadores acreditam que foi uma forma de “eliminação definitiva” dos adversários. Isso porque, durante o Neolítico, havia intensos conflitos entre grupos. Portanto, a violência podia ser usada como estratégia de dominação e poder.
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Vale destacar que não é a primeira vez que indícios desse tipo são encontrados em El Mirador. Cabe ressaltar que restos mais recentes, datados da Idade do Bronze, também mostraram sinais de canibalismo, mas em outro contexto histórico.
O que essa descoberta nos ensina

Os ossos foram datados por radiocarbono e pertenciam a indivíduos entre menos de 7 e mais de 50 anos. Dessa maneira, tudo indica que se tratava de uma família nuclear ou extensa.
Com isso, os cientistas reforçam a ideia de que a transição para a agricultura trouxe não apenas avanços, mas também conflitos e instabilidade social.
“Registros etnográficos e arqueológicos mostram que, mesmo em sociedades menos estratificadas, podem ocorrer episódios de violência em que os inimigos podem ser consumidos como forma de eliminação definitiva”, afirmou o arqueólogo Antonio Rodríguez-Hidalgo.
Desse jeito, a descoberta não apenas lança luz sobre o passado, mas também nos faz refletir sobre por que a violência acompanha a humanidade desde suas origens.
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