Cometa C/2025 K1 se fragmenta no espaço após encontro com o Sol

Cometa dourado começa a se fragmentar após passar perto do Sol (Imagem: Fala Ciência via Gemini)
Cometa dourado começa a se fragmentar após passar perto do Sol (Imagem: Fala Ciência via Gemini)

Um cometa com aparência dourada e avermelhada, algo extremamente incomum no Sistema Solar, acaba de protagonizar um espetáculo cósmico tão belo quanto efêmero. O cometa C/2025 K1 (ATLAS), observado desde 2025, começou a se desintegrar rapidamente após passar pelo ponto mais próximo do Sol, perdendo gradualmente sua coloração singular e se fragmentando em múltiplas partes.

Inicialmente, o objeto chamou atenção por exibir um brilho que lembrava tons de ouro metálico, contrastando com o padrão típico dos cometas, que geralmente apresentam cores esverdeadas ou azuladas. Esse comportamento incomum despertou interesse científico imediato, pois indicava uma composição química diferente do esperado. Após sua descoberta, observações revelaram que o cometa apresentava:

  • Coloração dourada e vermelho-acastanhada rara;
  • Baixa concentração de carbono em sua composição;
  • Origem na Nuvem de Oort, região distante e primitiva;
  • Início de fragmentação após aproximação solar.

A química rara que deu ao cometa C/2025 K1 seu brilho dourado

A coloração peculiar do C/2025 K1 está diretamente relacionada à sua composição molecular. Enquanto a maioria dos cometas possui gases ricos em carbono, responsáveis pelos tons verdes, este objeto apresentou níveis extremamente baixos dessas substâncias.

Cor rara do cometa desaparece durante desintegração no espaço (Imagem: J. Miller e M. Rodriguez Observatório Internacional Gemini/NSF NOIRLab), TA Rector (Universidade do Alasca em Anchorage/NSF NOIRLab), M. Zamani (NSF NOIRLab))
Cor rara do cometa desaparece durante desintegração no espaço (Imagem: J. Miller e M. Rodriguez (Observatório Internacional Gemini/NSF NOIRLab), TA Rector (Universidade do Alasca em Anchorage/NSF NOIRLab), M. Zamani (NSF NOIRLab))

Em vez disso, predominavam compostos como água (H₂O) e radicais hidroxila (OH), que, ao interagirem com a radiação solar, produzem um brilho mais quente e amarelado. Esse padrão químico indica que o cometa preserva características muito antigas, praticamente inalteradas desde a formação do Sistema Solar.

O cometa de longo período que revela a química primordial do Sistema Solar

Ao atingir o periélio, o ponto mais próximo do Sol, o cometa foi submetido a condições extremas. A intensa gravidade solar e a pressão do vento solar, fluxo constante de partículas energéticas, provocaram o aquecimento rápido do núcleo, levando à sublimação dos gelos e ao rompimento estrutural do objeto.

Como resultado, imagens recentes mostram que o brilho dourado se tornou mais fraco, irregular e fragmentado, refletindo a perda de material e a redução do tamanho do núcleo original.

O C/2025 K1 é classificado como um cometa de longo período, ou seja, leva milhares de anos para completar uma única órbita ao redor do Sol. Esses corpos são considerados verdadeiros fósseis cósmicos, pois passaram poucas vezes pela região interna do Sistema Solar e mantêm sua composição quase intacta.

Por isso, mesmo em processo de desintegração, esse cometa oferece uma oportunidade valiosa para compreender a química primordial que existia quando planetas e estrelas estavam se formando.Assim, embora seu brilho dourado esteja desaparecendo, o C/2025 K1 deixa um legado científico importante: ele reforça que cada cometa é uma cápsula do tempo, capaz de revelar segredos profundos sobre a origem e a evolução do nosso próprio sistema planetário.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.