Imagine uma aranha antiga com corpo semelhante ao de espécies modernas, mas com uma cauda longa e segmentada, uma característica que desapareceu há milhões de anos. Essa é a revelação do fóssil de Chimerarachne yingi, descoberto em 2018 e analisado detalhadamente apenas recentemente. Com aproximadamente 100 milhões de anos, essa criatura oferece uma visão única sobre como os aracnídeos evoluíram ao longo do tempo, combinando traços primitivos e modernos em um mesmo organismo.
A Chimerarachne não é simplesmente uma curiosidade: ela ajuda a reconstruir a história evolutiva das aranhas e demonstra que nem todas as características que conhecemos surgiram simultaneamente.
Um corpo híbrido entre aranhas e escorpiões
O estudo, publicado na Nature, revela que a Chimerarachne apresentava uma combinação singular de traços:
- Fiandeiras, semelhantes às aranhas atuais, para produção de seda;
- Pedicelo, a cintura estreita típica dos aracnídeos modernos;
- Abdômen segmentado, lembrando espécies ancestrais;
- Cauda longa e flexível, chamada tecnicamente de télson flageliforme.
Essa mistura de características mostra que a evolução ocorreu de forma mosaico, com diferentes traços aparecendo e desaparecendo em momentos distintos.
Funções misteriosas da cauda pré-histórica

A cauda da Chimerarachne é o elemento mais intrigante da espécie, e os pesquisadores levantam diversas hipóteses sobre sua função. Ela poderia ter atuado como um órgão sensorial, ajudando o animal a se orientar no ambiente, funcionando também como um mecanismo de defesa para intimidar predadores ou até mesmo como um artifício de distração, semelhante à cauda de alguns lagartos, facilitando a fuga em situações de perigo.
Embora seu papel exato ainda não seja conhecido, a presença desse apêndice revela novas perspectivas sobre a diversidade e a adaptação dos aracnídeos antigos.
Impacto na árvore evolutiva dos aracnídeos
A descoberta reforça que a Chimerarachne yingi representa um “primo” evolutivo das aranhas modernas, e não seu ancestral direto. Esse achado preenche lacunas importantes na árvore genealógica dos aracnídeos, mostrando que linhas evolutivas distintas coexistiram há milhões de anos e exibiam formas variadas, algumas com características hoje extintas.
Combinando pesquisa microscópica avançada e imagens 3D de alta resolução, o estudo destaca como a paleontologia moderna continua a revelar segredos surpreendentes sobre a evolução e a diversidade da vida antiga.

