A poluição por microplásticos já é considerada um dos maiores desafios ambientais do século. Essas partículas invisíveis estão presentes em rios, lagos, oceanos, estações de tratamento e até na água potável. Agora, uma nova descoberta científica sugere que a própria natureza, com ajuda da biotecnologia, pode oferecer uma solução eficiente para esse problema crescente.
Um estudo publicado na revista Nature Communications apresenta uma técnica inovadora baseada no uso de algas geneticamente modificadas, capazes de capturar microplásticos diretamente da água. Além disso, essas algas também ajudam a remover nutrientes em excesso, atuando como um sistema duplo de purificação ambiental. Três benefícios ficaram evidentes:
- Remoção de microplásticos da água contaminada;
- Tratamento de águas residuais por absorção de nutrientes;
- Reaproveitamento dos resíduos plásticos em bioprodutos.
Como as algas usam química natural para “pescar” microplásticos
O diferencial dessa tecnologia está na modificação genética das algas para que elas passem a produzir limoneno, uma substância natural presente em frutas cítricas. Esse composto torna as algas hidrofóbicas, ou seja, repelentes à água.
Curiosamente, os microplásticos também possuem essa mesma característica física. Como resultado, ambos tendem a se atrair, formando aglomerados que se depositam no fundo do reservatório. Essa biomassa sólida pode então ser facilmente coletada, separando o plástico do restante da água.
Esse mecanismo simples transforma um problema invisível em um resíduo fisicamente recuperável, algo que os sistemas tradicionais de filtragem ainda não conseguem fazer com eficiência.
Outro ponto estratégico da pesquisa é o destino final dos microplásticos capturados. Em vez de apenas descartá-los, os cientistas propõem convertê-los em bioplásticos, que podem ser usados na fabricação de filmes, embalagens e materiais compostos.
Assim, a tecnologia não apenas remove poluentes, mas também contribui para uma economia circular, reduzindo a dependência de novos plásticos derivados do petróleo.
Algas e engenharia genética no combate aos microplásticos
As algas são cultivadas em grandes biorreatores, estruturas semelhantes a tanques industriais. Esses sistemas já vêm sendo testados para capturar poluentes atmosféricos e agora estão sendo adaptados para tratamento de águas residuais.
A proposta é que, no futuro, essa tecnologia possa ser integrada às estações de tratamento existentes, ampliando drasticamente a capacidade de remoção de contaminantes microscópicos.
Os microplásticos representam um risco crescente para os ecossistemas aquáticos e para a saúde humana, pois podem carregar toxinas e atravessar cadeias alimentares. Nesse cenário, o uso de algas como ferramenta de remediação surge como uma das estratégias mais promissoras já desenvolvidas.
Portanto, ao unir engenharia genética, sustentabilidade e reaproveitamento de resíduos, essa abordagem inaugura um novo capítulo na luta contra a poluição plástica, agora com soluções biológicas e escaláveis.

