Buracos negros regulam galáxias com jatos e ventos controlando energia no universo

Buracos negros alternam jatos e ventos, moldando galáxias. (Imagem: ESO/M. Kornmesser, CC BY 4.0)
Buracos negros alternam jatos e ventos, moldando galáxias. (Imagem: ESO/M. Kornmesser, CC BY 4.0)

Os buracos negros sempre foram vistos como devoradores incansáveis de matéria, mas pesquisas recentes mostram que eles desempenham um papel muito mais sofisticado: atuam como reguladores de energia em seu entorno galáctico. Um estudo publicado na revista Nature Astronomy (Zuobin Zhang et al., 05/01/2026; DOI: 10.1038/s41550-025-02753-x) revelou que esses objetos extremos alternam entre dois tipos de ejeção: jatos supersônicos de plasma e ventos energéticos de raios X, nunca ocorrendo simultaneamente.

Essa alternância, descrita como “gangorra cósmica”, demonstra que os buracos negros possuem um mecanismo interno de autorregulação que impacta diretamente o crescimento das galáxias e a formação de estrelas.

O padrão de alternância: evidências observacionais

O estudo focou no sistema binário 4U 1630−472, um buraco negro estelar com cerca de dez vezes a massa do Sol que suga material de uma estrela vizinha. Dados coletados durante três anos pelo telescópio NICER da NASA e pelo radiotelescópio MeerKAT revelaram um comportamento consistente:

  • Ativação de jatos poderosos: os ventos de raios X desaparecem;
  • Retorno de ventos energéticos: os jatos se extinguem;
  • Energia total constante: apesar da alternância, a massa e energia expelida não variam significativamente, indicando um controle interno sofisticado.
Gangorra cósmica: energia de buracos negros controla estrelas e gás. (Imagem: ESO/M. Kornmesser, CC BY 4.0)
Gangorra cósmica: energia de buracos negros controla estrelas e gás. (Imagem: ESO/M. Kornmesser, CC BY 4.0)

Essa dinâmica sugere que a alternância é determinada por mudanças no campo magnético interno do buraco negro, não por flutuações na alimentação de material estelar.

Implicações cósmicas da gangorra energética

A alternância entre jatos e ventos tem efeitos profundos no universo, podendo estimular ou inibir a formação de estrelas em galáxias hospedeiras, ao mesmo tempo que regula o crescimento e a evolução dessas galáxias. Esse processo também influencia a distribuição de gás e matéria em torno do buraco negro, moldando diretamente o ambiente cósmico ao seu redor.

Além disso, combinações de observações do Very Large Telescope (ESO) e do telescópio Chandra (NASA) identificaram pares de jatos extremamente poderosos, reforçando que essa alternância é um mecanismo essencial na dinâmica dos buracos negros e na estrutura das galáxias.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.