A saúde bucal vai muito além de dentes e gengivas. Pesquisas anteriores já mostraram que problemas na boca podem influenciar doenças cardiovasculares, metabólicas e mentais. Agora, o estudo “Associação entre saúde bucal precária, microbiota oral e dor identificada em mulheres neozelandesas com distúrbios de sensibilização central: um estudo clínico prospectivo”, publicado na Frontiers in Pain Research e conduzido por Sharon Erdrich et al, revelou pela primeira vez uma conexão entre a saúde oral e síndromes dolorosas, como fibromialgia e enxaqueca idiopática.
Os achados sugerem que a boca pode influenciar diretamente o sistema nervoso central, abrindo novas possibilidades para prevenção e tratamento de dores crônicas.
Microbioma oral e dor crônica
A pesquisa analisou a saúde bucal e amostras de saliva de mulheres com e sem distúrbios de sensibilização central, utilizando tecnologia genômica avançada para identificar microrganismos específicos relacionados à dor.
Principais descobertas:
- Mulheres com saúde bucal precária apresentaram maior frequência de enxaquecas e dores corporais intensas
- Certas bactérias, como Lancefieldella e Mycoplasma salivarius, mostraram associação com dor
- 60% das participantes com boca em condições ruins relataram dores moderadas a intensas
- 49% tiveram maior probabilidade de sofrer enxaquecas frequentes
Esses resultados indicam que a inflamação na boca pode aumentar a sensibilidade do sistema nervoso, amplificando a percepção de dor.
Como o desequilíbrio oral afeta o corpo

O estudo reforça que a boca é uma peça central do organismo:
- Inflamações bucais liberam mediadores inflamatórios que circulam pelo corpo
- Esses mediadores podem potencializar dores crônicas e crises de enxaqueca
- O microbioma oral é o segundo maior do corpo, depois do intestinal
- Um desequilíbrio bacteriano pode intensificar a inflamação sistêmica e a dor percebida
Isso mostra que cuidar da boca é essencial não apenas para os dentes, mas para todo o corpo.
Implicações para prevenção e tratamento
A pesquisa de conduzida por Sharon Erdrich sugere estratégias importantes:
- Manutenção da saúde bucal pode reduzir dores crônicas e enxaquecas
- Dentistas em equipes multidisciplinares podem atuar no controle da dor
- Monitoramento da microbiota oral pode servir como indicador de risco para síndromes dolorosas
Esses achados reforçam que uma boca saudável contribui diretamente para o bem-estar geral.

