Imagine poder olhar para o céu e observar estrelas e galáxias distantes com uma clareza antes impossível. É exatamente isso que o Observatório Europeu do Sul (ESO) em Paranal, Chile, acaba de conquistar. Um conjunto de lasers projetados no céu permite criar estrelas artificiais, que funcionam como pontos de referência para corrigir o desfoque causado pela atmosfera terrestre. Com isso, telescópios do Very Large Telescope Interferometer (VLTI) atingem uma precisão inédita.
O projeto GRAVITY+, responsável por essa atualização, amplia o poder de observação do VLTI e abre caminho para estudar objetos ainda mais tênues e distantes do universo, desde estrelas recém-nascidas até galáxias primordiais.
Principais avanços do GRAVITY+ com lasers:
- Correção atmosférica em qualquer ponto do céu austral;
- Observação de sistemas estelares binários e múltiplos;
- Estudo detalhado de discos de formação planetária;
- Medição direta de massas de buracos negros supermassivos;
- Expansão da cobertura celeste e aumento de sensibilidade do VLTI.
Interferometria avançada para explorar o universo
O VLTI combina a luz de vários telescópios usando interferometria, técnica que permite gerar imagens de altíssima resolução. Com o instrumento GRAVITY, já foram obtidos resultados extraordinários, como a detecção de exoplanetas e a medição do movimento de estrelas próximas ao buraco negro central da Via Láctea.

A chegada do GRAVITY+ traz melhorias fundamentais: óptica adaptativa avançada, sensores de última geração e espelhos deformáveis, que ajustam automaticamente a distorção provocada pela atmosfera. Agora, a criação de estrelas artificiais a 90 km de altitude elimina a necessidade de estrelas de referência próximas, liberando o céu austral inteiro para observações detalhadas.
Descobertas inéditas e impacto científico
Os primeiros testes na Nebulosa da Tarântula revelaram que uma estrela antes considerada única é, na realidade, um sistema binário, demonstrando a precisão e potencial do GRAVITY+. A tecnologia permitirá ainda estudar galáxias ativas, medir a massa de buracos negros supermassivos e analisar estrelas jovens e seus discos planetários.
O GRAVITY já havia contribuído para avanços significativos, como testes da Teoria da Relatividade Geral e observações de acréscimo magnetosférico em estrelas jovens, publicados em Nature e Astronomy & Astrophysics. Com o GRAVITY+, essas fronteiras científicas se expandem, oferecendo uma visão sem precedentes do cosmos distante e primordial.
Um salto tecnológico no observatório do Chile
Com os lasers e as melhorias estruturais, o VLTI se consolida como o interferômetro óptico mais potente do mundo. Essa transformação representa uma nova era na observação astronômica, permitindo que cientistas explorem fenômenos que antes eram invisíveis e aprofundem nosso entendimento sobre a formação de estrelas, sistemas planetários e buracos negros.

