Diclofenaco serve para dor de garganta? Veja quando usar e quais são os riscos

Diclofenaco pode aliviar a dor de garganta, mas exige cuidados no uso. (Imagem: Getty Images)

O diclofenaco serve para dor de garganta? Sim. Esse medicamento é um anti-inflamatório não esteroidal (AINE) que pode ajudar a aliviar a dor e a inflamação, inclusive em alguns casos de faringite. Entretanto, seu uso depende da causa do desconforto, das condições de saúde da pessoa e da avaliação sobre os riscos do tratamento.

A dor de garganta pode surgir por infecções virais, infecções bacterianas, alergias, refluxo gastroesofágico ou irritação causada por fumaça e ar seco. Por isso, embora o diclofenaco possa reduzir determinados sintomas, ele não elimina necessariamente o problema que provocou a dor.

Além disso, o medicamento não é indicado para todas as pessoas. Entender como funciona, quais são seus efeitos adversos e quando procurar atendimento ajuda a evitar a automedicação inadequada.

Para que serve o diclofenaco na dor de garganta?

O diclofenaco atua reduzindo a produção de prostaglandinas, substâncias envolvidas nos processos inflamatórios e na sensibilização dos receptores da dor.

Quando a garganta está inflamada, essa ação pode contribuir para diminuir o desconforto ao engolir e outros sintomas associados à inflamação. Dependendo do quadro, o medicamento também pode ajudar a reduzir a febre.

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Entretanto, o diclofenaco alivia os sintomas, mas não é um antibiótico. Se a dor for provocada por uma infecção bacteriana que precise desse tipo de tratamento, o anti-inflamatório não elimina a bactéria.

A maioria dos episódios de dor de garganta associados a infecções respiratórias agudas é causada por vírus e melhora espontaneamente. Nesses casos, o tratamento costuma priorizar o alívio dos sintomas e a hidratação.

Estudo clínico avaliou o diclofenaco para dor de garganta 

Um ensaio clínico publicado em 2003 na revista científica Clinical Drug Investigation avaliou o efeito do diclofenaco potássico em adultos com dor de garganta acompanhada de febre.

O estudo foi liderado por P. Gehanno e contou com 343 participantes distribuídos entre cinco grupos, que receberam diferentes doses de diclofenaco potássico, paracetamol ou placebo.

Os pesquisadores observaram que as doses de 12,5 mg e 25 mg de diclofenaco potássico reduziram significativamente a dor de garganta e a febre em comparação com o placebo. Os resultados indicaram que o medicamento pode ter efeito sintomático nesse contexto específico.

No entanto, o estudo avaliou doses únicas em adultos com dor de garganta febril. Portanto, seus resultados não devem ser usados isoladamente para definir a dose adequada para cada pessoa ou justificar o uso por vários dias sem orientação profissional.

Pesquisa clínica revela efeito do diclofenaco sobre a dor de garganta

Um ensaio clínico publicado em 3 de janeiro de 2026 no Journal of General and Family Medicine, liderado por Naoto Ishimaru, investigou o uso de ácido tranexâmico para aliviar a dor de garganta associada a infecções respiratórias agudas.

O estudo incluiu 34 participantes na análise final e não encontrou diferença estatisticamente significativa entre o ácido tranexâmico e o placebo no alívio da dor. É importante destacar que essa pesquisa não avaliou o diclofenaco. Seu resultado reforça a necessidade de analisar individualmente as evidências de cada tratamento, sem presumir que todo medicamento proposto para dor de garganta seja eficaz.

Diclofenaco potássico e sódico são iguais para dor de garganta?

O diclofenaco pode ser encontrado em diferentes apresentações, incluindo os sais potássico e sódico. Ambos pertencem à mesma classe de anti-inflamatórios, mas suas formulações, indicações e características de absorção podem variar.

O diclofenaco potássico costuma apresentar absorção mais rápida em determinadas formulações, enquanto o diclofenaco sódico está disponível em apresentações com características diferentes, inclusive algumas de liberação modificada.

Isso não significa que seja seguro substituir um pelo outro por conta própria. A dose, a formulação e o intervalo de administração devem seguir a prescrição ou a bula específica do produto.

Diclofenaco para dor de garganta: quais são os riscos?

Apesar de poder aliviar a dor, o diclofenaco apresenta contraindicações e efeitos adversos importantes. Entre os riscos estão:

  • Problemas gastrointestinais: pode provocar dor abdominal, gastrite, úlceras e sangramentos.
  • Alterações renais: pode prejudicar a função dos rins, especialmente em pessoas desidratadas ou com doença renal.
  • Riscos cardiovasculares: pode aumentar o risco de eventos cardiovasculares, principalmente com determinadas doses e tratamentos prolongados.
  • Reações alérgicas: pode causar reações graves em pessoas suscetíveis.

O medicamento exige cuidado especial em pessoas com histórico de úlcera ou sangramento gastrointestinal, doenças renais ou cardiovasculares, pressão alta não controlada e alergia a anti-inflamatórios. Também há restrições importantes durante a gravidez.

Não associe diclofenaco a outros anti-inflamatórios, como ibuprofeno, nimesulida ou naproxeno, sem orientação profissional, pois a combinação pode aumentar os riscos sem proporcionar benefício proporcional.

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Quando a dor de garganta precisa de avaliação médica?

Procure atendimento se a dor for intensa, persistente, recorrente ou acompanhada de febre alta, placas de pus nas amígdalas ou piora progressiva.

Dificuldade para respirar, incapacidade de engolir a própria saliva, inchaço importante no pescoço ou sinais de desidratação exigem atendimento urgente.

Enquanto os sintomas são leves, beber líquidos, evitar fumaça e descansar a voz podem ajudar no conforto. A escolha de um medicamento deve considerar a causa provável da dor e as condições de saúde de cada pessoa.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica e editora de saúde do Portal Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação na internet, garantindo que o conteúdo seja sempre baseado em rigor técnico, empatia e evidências científicas de qualidade. Ver perfil no LinkedIn