Como saber se a garganta do bebê está inflamada: sinais de alerta e cuidados

Irritabilidade e choro podem indicar desconforto na garganta do bebê. (Imagem: Getty Images)

Saber como identificar uma garganta inflamada no bebê pode ser difícil, principalmente porque a criança ainda não consegue explicar onde sente dor. Por isso, os pais e cuidadores precisam observar mudanças no comportamento, na alimentação e na respiração.

A inflamação da garganta, também chamada de faringite quando atinge a faringe, pode ocorrer durante infecções virais, como resfriados, e, menos frequentemente, em infecções bacterianas. Entretanto, nem todo bebê que apresenta irritação, choro ou dificuldade para mamar está com a garganta inflamada.

Entre os sinais que merecem atenção estão a recusa das mamadas, o choro ao engolir, a febre, o aumento da salivação e a irritabilidade. Esses sintomas não confirmam o diagnóstico, mas ajudam a identificar quando é necessário procurar avaliação pediátrica.

Quais são os principais sintomas de garganta inflamada em bebês?

Os sintomas variam conforme a idade, a causa da inflamação e a intensidade do desconforto. Os mais comuns incluem:

  • Dificuldade para mamar: o bebê começa a mamar, mas interrompe repetidamente, chora ou parece sentir dor ao engolir.
  • Recusa de alimentos ou líquidos: a criança aceita menos leite materno ou fórmula do que o habitual.
  • Febre: pode acompanhar infecções que provocam inflamação na garganta, embora também apareça em diversas outras doenças.
  • Irritabilidade e choro: o bebê fica mais agitado, demonstra desconforto ou tem dificuldade para dormir.
  • Salivação aumentada: pode ocorrer quando engolir está desconfortável, mas também é comum em outras fases do desenvolvimento.
  • Vermelhidão na garganta: quando é possível observar a região com segurança, ela pode parecer avermelhada. Entretanto, esse sinal isolado não confirma uma infecção.
  • Coriza e tosse: quando aparecem junto dos demais sintomas, podem sugerir uma infecção respiratória viral.

É importante observar o conjunto dos sinais, e não apenas um sintoma isolado. A presença de tosse e coriza, por exemplo, é frequente em infecções virais, mas não permite determinar sozinha qual é a causa do problema.

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Como olhar a garganta do bebê com segurança?

Dicas de segurança para observar a garganta do bebê sem riscos. (Imagem ilustrativa: Fala Ciência)

Os cuidadores podem observar a boca do bebê em um ambiente bem iluminado, desde que ele esteja tranquilo e sem forçar a abertura da boca. Não é necessário introduzir objetos para tentar visualizar a garganta.

Evite pressionar a língua com colheres, espátulas ou outros utensílios. Esse procedimento pode provocar vômitos, machucar a boca ou aumentar o desconforto.

Mesmo quando a garganta parece vermelha, não é possível diferenciar com segurança uma infecção viral de uma bacteriana apenas pela aparência. O pediatra considera a idade, os sintomas, o histórico e, quando indicado, realiza exames.

O que pode causar inflamação na garganta do bebê?

Na maioria dos casos, a dor de garganta associada a infecções respiratórias é provocada por vírus. Resfriados e outras infecções podem causar inflamação na faringe, além de coriza, tosse e febre.

Outras condições também podem provocar desconforto ao engolir. Entre elas estão lesões na boca, candidíase oral, aftas e irritação das mucosas. Por isso, não é adequado concluir que toda recusa alimentar seja consequência de uma garganta inflamada.

As infecções bacterianas, incluindo as provocadas pelo estreptococo do grupo A, exigem avaliação específica. A faringite estreptocócica é menos comum em crianças menores de três anos do que em crianças em idade escolar. Antibióticos só devem ser utilizados quando houver indicação médica.

Quando procurar um pediatra?

A avaliação pediátrica é recomendada quando o bebê apresenta febre, recusa persistente das mamadas, dor aparente ao engolir ou sintomas que pioram ou não melhoram.

Bebês com menos de três meses que apresentam temperatura de 38 °C ou mais precisam de avaliação médica imediata, mesmo quando parecem estar bem.

Procure atendimento de emergência se houver dificuldade para respirar, coloração azulada nos lábios, incapacidade de engolir a própria saliva, salivação excessiva acompanhada de dificuldade para engolir, prostração intensa ou dificuldade para despertar.

Também é importante observar sinais de desidratação, como redução significativa das fraldas molhadas, boca seca e sonolência incomum. Se o bebê não consegue mamar ou beber líquidos, não espere que os sintomas desapareçam espontaneamente.

O que fazer para aliviar o desconforto?

Enquanto aguarda orientação médica, ofereça leite materno ou fórmula em pequenas quantidades e com maior frequência, respeitando a tolerância da criança. Não force a alimentação e acompanhe a quantidade de líquidos ingeridos e de fraldas molhadas.

Evite dar mel a crianças menores de um ano, devido ao risco de botulismo infantil. Não ofereça pastilhas, sprays para garganta, chás ou medicamentos por conta própria. Remédios para dor e febre devem ser escolhidos conforme a idade, o peso e a orientação de um profissional de saúde.

Também não utilize antibióticos que sobraram de tratamentos anteriores. Além de não combaterem vírus, esses medicamentos podem provocar efeitos adversos e contribuir para a resistência bacteriana.

Como diferenciar garganta inflamada de nascimento dos dentes?

O nascimento dos dentes pode causar gengivas sensíveis, salivação e vontade de morder objetos. Entretanto, febre significativa, dificuldade persistente para mamar ou prostração não devem ser atribuídas automaticamente à dentição.

Quando há dúvida, especialmente em bebês muito pequenos, a avaliação pediátrica ajuda a identificar a origem dos sintomas e a definir a conduta adequada.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica e editora de saúde do Portal Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação na internet, garantindo que o conteúdo seja sempre baseado em rigor técnico, empatia e evidências científicas de qualidade. Ver perfil no LinkedIn