Força da mão pode indicar gravidade da Covid, aponta estudo

Força das mãos pode ajudar a avaliar a fraqueza após a Covid longa. (Imagem: Getty Images)

A capacidade de apertar um objeto com as mãos pode revelar mais sobre a saúde do que parece. Após uma infecção por Covid-19, algumas pessoas continuam enfrentando fadiga persistente, fraqueza muscular e dificuldade para realizar tarefas cotidianas, mesmo depois de a fase aguda da doença ter terminado. Um estudo publicado na revista Scientific Reports investigou se a força das mãos pode ajudar a avaliar esses problemas.

A pesquisa analisou pessoas com síndrome pós-Covid, também conhecida como Covid longa, e identificou relações entre a força de preensão manual, a resistência muscular e a intensidade dos sintomas. Os resultados sugerem que essa medida simples pode ser útil na avaliação clínica de pacientes que ainda sofrem consequências da infecção.

Aperto de mão pode revelar sinais de fraqueza muscular

A força de preensão manual é a capacidade de apertar um objeto usando os músculos das mãos e dos antebraços. Para medi-la com precisão, profissionais de saúde podem utilizar um aparelho chamado dinamômetro.

Além da força máxima, os pesquisadores avaliaram outros aspectos da função muscular, como a perda de força durante esforços repetidos e a capacidade de recuperação após o exercício.

Essas informações são importantes porque duas pessoas podem apresentar níveis diferentes de limitação física. Enquanto uma consegue produzir força inicialmente, mas se cansa rapidamente, outra pode apresentar menor força desde o começo.

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Por isso, observar apenas o resultado de um aperto isolado pode não ser suficiente para compreender as dificuldades enfrentadas por quem convive com sintomas prolongados.

Pacientes com fadiga crônica apresentaram diferenças importantes

Estudo mostra relação entre força muscular e fadiga pós-Covid. (Imagem ilustrativa: Fala Ciência)

O estudo reuniu 102 pessoas com síndrome pós-Covid, sendo 77 mulheres e 25 homens. Entre os participantes classificados, 62 de 101 preenchiam critérios para encefalomielite miálgica/síndrome da fadiga crônica, condição caracterizada por fadiga incapacitante e outros sintomas persistentes.

Na comparação entre os grupos, os pacientes com essa condição apresentaram menor força média de preensão manual, maior fatigabilidade e recuperação muscular mais prejudicada.

Os pesquisadores também encontraram associações entre os parâmetros de força e a gravidade dos sintomas relatados pelos participantes, incluindo o cansaço e as limitações na rotina.

Isso indica que a avaliação muscular pode oferecer informações complementares sobre o impacto da Covid longa. Entretanto, os resultados não significam que a força das mãos, sozinha, seja capaz de determinar a gravidade de cada caso.

Inflamação e alterações nos vasos sanguíneos entram na investigação

Além dos testes musculares, os cientistas examinaram marcadores presentes no sangue para investigar possíveis mecanismos relacionados às limitações físicas.

Entre os resultados, níveis mais elevados da molécula de adesão intercelular 1 (ICAM-1) foram observados em pacientes com recuperação muscular reduzida. A molécula está envolvida em processos relacionados à interação entre células e à resposta inflamatória.

O estudo também identificou associações entre determinados marcadores sanguíneos e o desempenho muscular, com diferenças entre homens e mulheres.

Esses achados levantam a possibilidade de que alterações vasculares, inflamatórias e outros mecanismos biológicos participem da persistência dos sintomas. Contudo, as associações observadas não comprovam que esses fatores sejam a causa direta da fraqueza muscular.

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Teste de força não substitui avaliação médica

A força de preensão manual pode ser uma ferramenta prática para acompanhar a função muscular, especialmente durante a reabilitação. Ainda assim, ela precisa ser interpretada em conjunto com o histórico clínico, os sintomas, a capacidade funcional e outros exames quando indicados.

O estudo foi observacional e envolveu um grupo relativamente pequeno de pacientes. Portanto, são necessárias pesquisas adicionais para determinar como esses testes podem ser utilizados na prática clínica e se ajudam a prever a evolução da Covid longa.

Para quem apresenta cansaço persistente ou perda de força após a infecção, a recomendação é procurar avaliação profissional. A investigação individualizada permite identificar possíveis causas e orientar a reabilitação de acordo com as limitações de cada pessoa.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica e editora de saúde do Portal Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação na internet, garantindo que o conteúdo seja sempre baseado em rigor técnico, empatia e evidências científicas de qualidade. Ver perfil no LinkedIn