Ovos ganham destaque em estudo sobre envelhecimento saudável

Consumo moderado de ovos beneficia o coração. (Foto: Aflo via Canva)
Consumo moderado de ovos beneficia o coração. (Foto: Aflo via Canva)

Durante anos, o consumo de ovos gerou debates na nutrição, principalmente por causa do colesterol alimentar. No entanto, novas evidências científicas trazem uma perspectiva mais equilibrada. Um estudo recente sugere que o consumo moderado de ovos pode estar associado a menor risco de mortalidade, especialmente entre idosos.

Ovos e longevidade: o que a ciência observou

A pesquisa publicada na revista científica Nutrients, conduzida por Holly Wild e publicada em janeiro de 2025, analisou dados de 8.756 idosos com 70 anos ou mais. Os participantes foram acompanhados por cerca de seis anos, permitindo avaliar a relação entre consumo de ovos e risco de मृत्यु por diferentes causas.

Os resultados mostraram que indivíduos que consumiam ovos de 1 a 6 vezes por semana apresentaram:

  • 17% menor risco de mortalidade por todas as causas
  • 29% menor risco de morte por doenças cardiovasculares

Por outro lado, o consumo diário não apresentou benefícios adicionais claros e, embora tenha mostrado uma leve tendência de aumento no risco, os dados não foram estatisticamente significativos.

Por que os ovos podem beneficiar a saúde?

Os ovos são considerados um alimento altamente nutritivo, especialmente importante na terceira idade. Eles fornecem proteínas de alta qualidade, essenciais para a manutenção da massa muscular, que tende a diminuir com o envelhecimento.

Além disso, os ovos contêm nutrientes fundamentais, como:

  • Vitaminas do complexo B
  • Vitamina D
  • Colina, importante para o cérebro
  • Gorduras saudáveis

Esses componentes contribuem para o funcionamento do organismo, auxiliando tanto na saúde muscular quanto no sistema metabólico.

A frequência de consumo faz diferença

Ovos 1 a 6 vezes/semana favorecem a saúde. (Foto: JR via Canva)
Ovos 1 a 6 vezes/semana favorecem a saúde. (Foto: JR via Canva)

Um dos pontos mais relevantes do estudo foi a identificação de um padrão ideal de consumo. Nem o consumo raro nem o consumo diário se destacaram tanto quanto a ingestão regular e moderada ao longo da semana.

Além disso, os benefícios foram ainda mais evidentes entre indivíduos com:

  • Dieta de melhor qualidade geral
  • Ausência de dislipidemia ou controle adequado do colesterol

Isso reforça que os ovos devem ser considerados dentro de um contexto alimentar equilibrado, e não de forma isolada.

O debate sobre colesterol e ovos continua

Apesar dos benefícios observados, o tema ainda gera discussões. Os ovos são uma fonte significativa de colesterol, o que historicamente levou à recomendação de consumo limitado.

Entretanto, estudos mais recentes indicam que o impacto do colesterol alimentar pode variar de pessoa para pessoa. Assim, fatores como metabolismo individual, qualidade da dieta e estilo de vida influenciam diretamente os efeitos do consumo de ovos.

Os achados do estudo sugerem que o consumo moderado de ovos pode fazer parte de uma alimentação saudável para idosos, contribuindo para a redução do risco de mortalidade, especialmente por doenças cardiovasculares.

Ainda assim, é importante considerar que:

  • A alimentação deve ser variada e equilibrada
  • O consumo deve respeitar as necessidades individuais
  • O acompanhamento profissional pode ser essencial em casos específicos

Nesse cenário, os ovos surgem como uma opção acessível, nutritiva e potencialmente benéfica, principalmente para a população idosa.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn