Enviar seres humanos além da órbita da Terra é uma das tarefas mais complexas já enfrentadas pela ciência moderna. Diferente de missões robóticas, qualquer erro mínimo pode ter consequências graves. É nesse contexto que a Artemis 2 se torna um divisor de águas: ela será a primeira missão tripulada a viajar até as proximidades da Lua em mais de 50 anos.
Por isso, a NASA iniciou nesta terça-feira (17/02) um novo ensaio geral de abastecimento do seu principal foguete, o Space Launch System (SLS). O teste está programado para se estender até quinta-feira (19/02) e reproduz com alto nível de realismo tudo o que ocorrerá no dia do lançamento real, incluindo procedimentos técnicos, respostas das equipes e comportamento dos sistemas sob estresse.
O foco principal está no carregamento de aproximadamente 2,6 milhões de litros de combustíveis criogênicos, especificamente hidrogênio e oxigênio líquidos, mantidos a temperaturas extremamente baixas. São substâncias altamente voláteis, que exigem controle rigoroso de pressão, vedação e estabilidade térmica. Na prática, o ensaio serve para:
- Detectar falhas invisíveis em inspeções comuns;
- Testar sensores, válvulas e conexões;
- Treinar equipes para situações críticas em tempo real.
Falha técnica acende alerta máximo na preparação da Artemis 2
Na tentativa anterior, um vazamento de hidrogênio obrigou a interrupção do procedimento. O problema ocorreu em uma das interfaces que conectam o foguete à infraestrutura de solo, revelando falhas de vedação em componentes sensíveis.
Embora esse tipo de situação já tenha sido observado em missões passadas, agora o risco é maior: a Artemis 2 levará astronautas. Por isso, engenheiros substituíram selos, filtros e partes do sistema, além de realizarem testes intermediários para confirmar as correções.
No topo do SLS está a cápsula Orion, projetada para proteger seres humanos contra radiação cósmica, microgravidade prolongada e as forças extremas da reentrada atmosférica.
Um ensaio que simula o dia mais importante
O novo teste da Artemis 2 inclui uma contagem regressiva completa, com pausas programadas nos instantes finais antes da decolagem. Essas interrupções são intencionais e fazem parte do treinamento para cenários reais, como falhas elétricas, problemas de comunicação ou mudanças repentinas no clima.
Se o ensaio for concluído com sucesso até 19/02, a missão poderá ser liberada para lançamento já nos próximos meses. A tripulação realizará uma viagem de cerca de dez dias ao redor da Lua, sem pouso, mas com objetivos científicos e técnicos bem definidos. Entre os principais sistemas avaliados estarão:
- Suporte à vida e consumo de recursos;
- Navegação em espaço profundo;
- Comunicação com a Terra;
- Segurança na reentrada.
Muito além de um simples voo
A Artemis 2 não é apenas um retorno simbólico à Lua, mas funciona como um experimento biológico e tecnológico em escala real, já que será a primeira vez, desde 1972, que o corpo humano será exposto novamente ao ambiente do espaço profundo por vários dias. Os dados coletados permitirão compreender melhor efeitos como perda de massa óssea, alterações cardiovasculares, exposição à radiação e impactos no sistema imunológico.
Além disso, a missão abre caminho para uma nova era da exploração espacial, com planos que incluem bases lunares permanentes, exploração de recursos e futuras missões tripuladas a Marte. Portanto, cada teste bem-sucedido não representa apenas um avanço técnico, mas um passo decisivo para tornar a presença humana fora da Terra contínua, segura e sustentável.

