Onde exatamente termina o Sistema Solar? Embora a pergunta pareça simples, a resposta envolve estruturas invisíveis, campos de partículas e forças que se estendem muito além da órbita dos planetas. Agora, uma nova missão da NASA, chamada IMAP (Interstellar Mapping and Acceleration Probe), acaba de alcançar a posição ideal no espaço para investigar essa fronteira cósmica e revelar, pela primeira vez, a forma real da “bolha” que envolve nosso sistema planetário.
Todos os planetas, incluindo a Terra, estão imersos na heliosfera, uma gigantesca região inflada pelo vento solar, um fluxo constante de partículas emitidas pelo Sol. Essa bolha funciona como uma espécie de escudo natural contra parte da radiação cósmica que vem da galáxia. Fora dela começa o meio interestelar, dominado por partículas de origem estelar.
Para entender essa transição, os cientistas observam regiões-chave, como a heliopausa, onde o vento solar perde força, e a zona de interação com o material interestelar. Após sua chegada ao ponto de operação, a missão passa a cumprir três objetivos centrais:
- Mapear a forma tridimensional da heliosfera;
- Detectar átomos neutros energéticos (ENAs);
- Monitorar variações do vento solar ao longo do tempo.
O ponto estratégico no espaço que permite mapear a “bolha solar”
A IMAP foi posicionada no Ponto de Lagrange 1 (L1), localizado a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, na direção do Sol, um ponto onde as forças gravitacionais se equilibram e permitem que a sonda permaneça estável com baixo gasto de combustível.
Apesar de estar relativamente próxima, a IMAP consegue estudar as bordas do Sistema Solar graças à sua instrumentação avançada, já que os átomos neutros energéticos (ENAs) detectados funcionam como mensageiros naturais das regiões mais distantes da heliosfera, possibilitando reconstruir sua forma sem a necessidade de viajar fisicamente até esses limites.
Ao longo dos próximos anos, a missão deverá produzir um mapa em 360 graus da heliosfera, revelando como essa “bolha” se expande, se contrai e se deforma de acordo com os ciclos de atividade do Sol, o que ajuda a responder questões fundamentais sobre sua simetria, variação de tamanho ao longo das décadas e reação a tempestades solares extremas.
Como a IMAP ajuda a defender a Terra das tempestades solares
Além da importância científica, a IMAP também tem uma função prática. Ao monitorar o clima espacial, a sonda poderá emitir alertas com antecedência sobre tempestades solares, que podem afetar satélites, sistemas de GPS, comunicações e redes elétricas. Assim, a missão contribui não apenas para entender os limites do Sistema Solar, mas também para proteger infraestruturas tecnológicas essenciais.
No futuro, os dados da IMAP podem servir de base para missões ainda mais ambiciosas, capazes de observar o Sistema Solar a partir de fora, algo que até hoje só foi feito indiretamente pelas sondas Voyager. Pela primeira vez, estamos realmente começando a enxergar a forma da “bolha cósmica” que nos abriga.

