Amônia descoberta em lua de Júpiter pode indicar ambiente favorável à vida

Amônia em Europa indica oceanos ocultos e geologia ativa (Imagem: Getty Images via Canva)
Amônia em Europa indica oceanos ocultos e geologia ativa (Imagem: Getty Images via Canva)

A lua de Júpiter, Europa, vem atraindo cada vez mais atenção da comunidade científica por seu oceano subterrâneo e atividade geológica surpreendente. Recentes análises de dados da sonda Galileo identificaram traços de amônia (NH₃) próximos a fissuras em sua superfície gelada, oferecendo novas pistas sobre a química do oceano e o potencial de ambientes habitáveis.

Europa é coberta por uma crosta de gelo, mas sob ela existe um oceano salgado profundo que interage com um núcleo rochoso de níquel-ferro, aquecido pela flexão das marés de Júpiter. Essa dinâmica gera pressão que envia água e sais à superfície, criando regiões de criovulcanismo, onde a amônia pode ser depositada de forma relativamente recente, em termos geológicos. Principais pontos sobre a descoberta de amônia em Europa:

  • Detectada em fissuras na superfície por meio do Espectrômetro de Mapeamento no Infravermelho Próximo (NIMS);
  • Apresenta absorção em 2,2 micrômetros, indicando hidrato de NH₃ e cloreto de NH₄;
  • Sugere recente atividade geológica, possivelmente menor que um milhão de anos;
  • Nitrogênio presente na amônia é essencial para aminoácidos, proteínas e DNA, fornecendo contexto astrobiológico.

Rachaduras de Europa revelam sinais de amônia e oceanos ativos

Fissuras da lua joviana revelam sinais de potencial vida (Imagem: NASA/JPL-Caltech)
Fissuras da lua joviana revelam sinais de potencial vida (Imagem: NASA/JPL-Caltech)

O papel da amônia vai além de simples presença química. Ela reduz o ponto de congelamento da água, facilitando que o oceano de Europa permaneça líquido sob a crosta gelada. Assim, sua presença é um forte indicador de interações dinâmicas entre o oceano interno e a superfície, reforçando que Europa é um mundo geologicamente ativo.

Além disso, a detecção de amônia não é exclusiva de Europa. Plutão, suas luas, além de corpos como Encélado, também apresentam compostos contendo NH₃. No entanto, a análise detalhada de Europa demonstra como esses compostos podem ser transportados do oceano profundo para a superfície, fornecendo pistas sobre potenciais habitats para vida extraterrestre.

A missão Europa Clipper, lançada em 2024 e com chegada prevista ao sistema joviano em 2030, terá instrumentos para investigar a composição da superfície, a espessura da crosta e a interação com o oceano subterrâneo. Essa sonda permitirá que os cientistas confirmem se os elementos essenciais para a vida estão presentes e em que quantidade, preparando o caminho para futuras descobertas sobre habitabilidade fora da Terra.A presença de amônia em fissuras recentes reafirma que Europa é mais que uma lua gelada: é um laboratório natural de química e geologia, com potencial para surpreender a astrobiologia moderna.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.