Cientistas criam método para capturar e reutilizar CO₂ industrialmente

Eletrodo transforma CO₂ de gases de escape em ácido fórmico (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT)
Eletrodo transforma CO₂ de gases de escape em ácido fórmico (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT)

Uma equipe de pesquisadores desenvolveu um eletrodo inovador capaz de capturar dióxido de carbono (CO₂) diretamente de gases de escape e convertê-lo em ácido fórmico, um produto químico de ampla aplicação industrial e energética. Diferente das tecnologias existentes, o sistema funciona sem necessidade de CO₂ purificado, operando até mesmo com as concentrações encontradas no ar ambiente. Essa abordagem integrada simplifica a captura e conversão do carbono, tornando-a mais prática e eficiente. Principais vantagens do novo eletrodo:

  • Funciona com gases de escape reais, não apenas CO₂ concentrado;
  • Converte o carbono em ácido fórmico, usado em células de combustível e processos industriais;
  • Opera em condições atmosféricas típicas, incluindo níveis baixos de CO₂;
  • Eficiência superior a eletrodos convencionais, mesmo com gases misturados de combustão.

Como o eletrodo transforma CO₂?

O dispositivo é composto por três camadas: um material que captura o CO₂ presente no fluxo de gases, uma folha de papel carbono permeável que permite a passagem controlada dos gases e uma camada catalítica de óxido de estanho (IV) responsável pela conversão química. 

Essa configuração possibilita que o dióxido de carbono seja capturado e transformado simultaneamente, eliminando a necessidade de etapas separadas de purificação ou concentração. Como resultado, o sistema consegue produzir ácido fórmico de forma contínua e eficiente, mesmo quando processa misturas gasosas complexas contendo oxigênio e nitrogênio.

Resultados promissores em condições reais

Nos testes, o eletrodo apresentou 40% mais eficiência em comparação com sistemas tradicionais utilizando CO₂ puro e mostrou capacidade de gerar ácido fórmico a partir de gases de combustão simulados contendo 15% de CO₂. Além disso, o dispositivo operou de forma eficaz em concentrações de CO₂ equivalentes às encontradas na atmosfera. 

Essa tecnologia não apenas contribui para a redução de emissões, como também abre caminho para o desenvolvimento de futuros sistemas capazes de capturar e converter outros gases de efeito estufa, como o metano, ampliando o potencial de mitigação climática. 

Ao integrar captura e conversão em uma única etapa, este eletrodo inovador representa uma solução prática e economicamente viável para transformar emissões de carbono em recursos úteis. O avanço reforça a importância da química avançada e da engenharia de materiais na luta contra as mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que oferece novas oportunidades para a indústria química e energética.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes