Superterras podem abrigar vida graças a campos magnéticos de magma intenso

Superterras podem gerar campos magnéticos poderosos e abrigar vida (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT)
Superterras podem gerar campos magnéticos poderosos e abrigar vida (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT)

As superterras, exoplanetas maiores que a Terra, podem ser mais habitáveis do que se imaginava, graças a um mecanismo interno surpreendente. Diferentemente do nosso planeta, cujo campo magnético surge do ferro líquido no núcleo, algumas superterras possuem oceanos de magma metálico em movimento, capazes de gerar campos magnéticos intensos que protegem suas atmosferas da radiação espacial.

Essa descoberta da Universidade de Rochester, publicada na Nature Astronomy, muda a forma como cientistas buscam por planetas potencialmente habitáveis, já que superterras são os mundos mais comuns na galáxia e muitas estão localizadas na chamada zona habitável, onde a água líquida pode existir. Sem essa proteção magnética, a atmosfera poderia ser destruída pelos ventos estelares, tornando o planeta seco e inóspito.

Como os oceanos de magma funcionam?

Pesquisadores reproduziram as pressões extremas encontradas nas profundezas desses planetas usando lasers potentes para comprimir rochas em laboratório. Surpreendentemente, sob essa pressão esmagadora, a rocha derretida começa a conduzir eletricidade como um metal, formando um dínamo natural capaz de gerar um campo magnético ao redor do planeta. Principais características desse mecanismo:

  • Escudo magnético natural protege a atmosfera da radiação cósmica;
  • Magma metálico permanece líquido por bilhões de anos devido ao calor e pressão internos;
  • Campos magnéticos podem ser até 10 vezes mais fortes que o da Terra;
  • Ausência de núcleo de ferro líquido não impede a proteção planetária.

Por que isso aumenta as chances de vida?

Em superterras com três a seis vezes o tamanho da Terra, os oceanos de magma podem durar bilhões de anos sem solidificar, criando uma proteção estável e duradoura. Esse escudo explica por que, mesmo sem um núcleo semelhante ao da Terra, esses planetas podem manter atmosferas densas e água líquida, essenciais para a vida.

No nosso Sistema Solar, mundos como Marte e Vênus não possuem essa defesa, o que contribui para suas condições áridas e inóspitas. Já nas superterras, esse mecanismo interno oferece uma vantagem significativa para a exploração científica e a busca por vida extraterrestre.

Embora ainda seja desafiador medir o magnetismo de exoplanetas tão distantes, novas tecnologias devem permitir confirmações observacionais em breve. Essa descoberta coloca as superterras no topo das prioridades da pesquisa espacial, destacando novos alvos para missões e telescópios voltados à busca de vida fora do Sistema Solar.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes