Tratamento inovador para Alzheimer desembarca em junho nas farmácias brasileiras

Novo remédio pode retardar avanço do Alzheimer. (Foto: Divulgação e Canva)
Novo remédio pode retardar avanço do Alzheimer. (Foto: Divulgação e Canva)

O tratamento do Alzheimer está entrando em uma nova fase. Um medicamento inovador, chamado Lecanemabe, com chegada prevista ao Brasil em junho de 2026, promete mudar a forma como a doença é tratada ao atuar diretamente em sua causa biológica. Diferentemente das terapias tradicionais, que focam apenas nos sintomas, essa nova abordagem busca retardar a progressão do declínio cognitivo.

A novidade representa um avanço importante em um cenário global preocupante, já que milhões de pessoas convivem com a doença e enfrentam perda gradual de memória e autonomia.

Como o novo medicamento atua no cérebro

O grande diferencial do tratamento está no seu mecanismo de ação. Ele atua diretamente nas placas de beta-amiloide, proteínas que se acumulam no cérebro e estão associadas à degeneração dos neurônios.

Esse novo fármaco apresenta dois efeitos principais:

  • Remove depósitos tóxicos já existentes no cérebro
  • Evita a formação de novas placas

Com isso, o medicamento interfere no processo que leva à progressão da doença, algo que tratamentos anteriores não conseguiam fazer de forma eficaz.

O que dizem os estudos científicos

A eficácia do tratamento foi demonstrada em um estudo publicado no The New England Journal of Medicine, conduzido por pesquisadores liderados por Van Dyck em 2022. A pesquisa acompanhou 1.795 pacientes com Alzheimer em estágio inicial ao longo de 18 meses.

Os resultados mostraram que o medicamento foi capaz de:

  • Reduzir em 27% o declínio cognitivo
  • Preservar por mais tempo funções como memória e raciocínio
  • Prolongar a autonomia dos pacientes

Esses dados indicam um avanço relevante, especialmente porque o tratamento atua nos estágios iniciais da doença, quando ainda é possível preservar mais funções cerebrais.

Como é feito o tratamento 

Lecanemabe reduz declínio cognitivo em estudo. (Foto: Divulgação)
Lecanemabe reduz declínio cognitivo em estudo. (Foto: Divulgação)

O uso do medicamento exige acompanhamento médico e ocorre por meio de infusão intravenosa em ambiente controlado.

O protocolo inclui:

  • Aplicações a cada duas semanas
  • Monitoramento contínuo de possíveis efeitos colaterais
  • Ajuste de dose conforme o peso do paciente

Esse modelo exige estrutura especializada, o que pode limitar o acesso inicial ao tratamento.

Custo e acesso no Brasil

Apesar do avanço científico, o custo ainda é um dos principais desafios. O valor mensal do tratamento pode variar entre aproximadamente R$ 8 mil e R$ 11 mil, dependendo de fatores como peso do paciente e impostos regionais.

Além disso:

  • Ainda não há confirmação de cobertura por planos de saúde
  • O tratamento não foi incorporado ao sistema público até o momento

Isso levanta discussões importantes sobre acessibilidade e equidade no tratamento da doença.

Um novo capítulo no combate ao Alzheimer

A chegada desse medicamento representa um marco importante na medicina. Pela primeira vez, um tratamento disponível no país atua diretamente na fisiopatologia do Alzheimer, e não apenas nos sintomas.

Embora não seja uma cura, o avanço abre caminho para uma nova geração de terapias que podem transformar o curso da doença e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn