Ter animal de estimação não melhora saúde, aponta estudo

Estudo não encontrou melhora na saúde com pets. (Foto: Studio India via Canva)
Estudo não encontrou melhora na saúde com pets. (Foto: Studio India via Canva)

A ideia de que animais de estimação melhoram a saúde e reduzem a solidão está profundamente enraizada na sociedade. No entanto, uma análise recente trouxe um olhar mais rigoroso sobre essa crença popular e revelou resultados que surpreendem até especialistas.

Publicado na revista Applied Research in Quality of Life, o estudo foi conduzido por Maxim Ananyev e colaboradores, com divulgação em fevereiro de 2026. A pesquisa buscou entender, de forma mais precisa, se ter um pet realmente causa melhorias na saúde mental, satisfação com a vida e bem-estar geral.

Principais achados do estudo

  • Nenhuma melhora significativa em saúde mental ou física
  • Sem redução consistente da solidão
  • Satisfação com a vida permaneceu estável
  • Resultados semelhantes mesmo com aumento de pessoas com pets

Esses dados desafiam diretamente a ideia de que a companhia animal, por si só, gera benefícios amplos à saúde.

Experimento trouxe respostas mais confiáveis

Diferente de estudos anteriores, essa pesquisa utilizou um modelo mais robusto. A análise acompanhou pessoas ao longo do tempo, aproveitando uma mudança de lei no estado de Victoria, na Austrália, que passou a permitir animais em imóveis alugados.

Com isso, foi possível observar o que acontece quando mais pessoas passam a ter pets, sem depender apenas de comparações pontuais. Esse tipo de abordagem aproxima o estudo de um cenário de causa e efeito, aumentando sua confiabilidade.

Por que estudos antigos podem ter confundido os resultados

Grande parte das pesquisas anteriores comparava grupos diferentes em um único momento. Isso pode gerar distorções importantes, como:

  • Pessoas naturalmente mais felizes tendem a ter pets
  • Indivíduos com melhor saúde podem buscar companhia animal
  • Diferenças pré-existentes influenciam os resultados

Ao acompanhar os mesmos indivíduos ao longo do tempo, o novo estudo reduz esse tipo de viés e oferece uma visão mais realista.

Benefícios emocionais existem, mas não são universais

Pessoas mais felizes nem sempre têm relação com pets. (Foto: Pexels via Canva)
Pessoas mais felizes nem sempre têm relação com pets. (Foto: Pexels via Canva)

Embora o estudo não tenha encontrado efeitos consistentes na média, isso não significa que os pets não tragam benefícios individuais. O vínculo emocional com animais pode gerar:

  • Sensação de companhia
  • Rotina estruturada
  • Conforto emocional em momentos específicos

No entanto, esses efeitos não foram suficientes para impactar indicadores amplos de saúde na população analisada.

O lado menos discutido da convivência com pets

Outro ponto relevante é que ter um animal também envolve responsabilidades que podem gerar impacto negativo, como:

  • Custos com alimentação e cuidados veterinários
  • Demandas de tempo e rotina
  • Possíveis restrições em moradia

Esses fatores podem neutralizar parte dos benefícios emocionais, especialmente em contextos mais desafiadores, como o de pessoas que vivem de aluguel.

Fatores que ainda podem influenciar os resultados

Algumas limitações do estudo indicam que o tema ainda precisa ser explorado com mais profundidade. Entre elas:

  • Diferença entre tipos de animais
  • Tempo de convivência com o pet
  • Grau de apego emocional
  • Impactos de eventos externos, como a pandemia

Esses elementos podem explicar por que algumas pessoas relatam benefícios claros, enquanto outras não percebem mudanças.

Dessa maneira, a pesquisa mostra que, apesar do carinho e da importância emocional dos animais, a posse de pets não garante melhorias automáticas na saúde ou no bem-estar. Os efeitos parecem ser mais complexos e dependem de fatores individuais e contextuais.

Portanto, ter um animal de estimação pode ser uma escolha valiosa por diversos motivos, mas não deve ser encarado como uma estratégia direta para melhorar a saúde física ou mental.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn