Novo comprimido para obesidade surpreende ao evitar reganho de peso após emagrecimento 

Pesquisa destaca nova estratégia contra efeito sanfona. (Foto: Studioroman via Canva)
Pesquisa destaca nova estratégia contra efeito sanfona. (Foto: Studioroman via Canva)

Perder peso já é um desafio enorme para milhões de pessoas. Porém, manter os resultados no longo prazo costuma ser ainda mais difícil. Mas, uma nova pesquisa publicada na revista científica Nature Medicine sugere que um comprimido experimental pode ajudar justamente nessa etapa crítica do tratamento da obesidade.

O estudo liderado por Louis J. Aronne e publicado em 2026 avaliou o medicamento orforglipron, um agonista oral do receptor de GLP-1 desenvolvido para auxiliar no controle do peso corporal. Diferentemente de muitos tratamentos atuais, o remédio é administrado em forma de comprimido diário, sem necessidade de injeções.

Os resultados chamaram atenção porque o medicamento conseguiu preservar grande parte da perda de peso em pessoas que já haviam emagrecido anteriormente com terapias injetáveis.

O desafio invisível após o emagrecimento

A obesidade é considerada uma condição crônica e complexa. Após uma perda importante de peso, o corpo ativa mecanismos biológicos que favorecem o reganho dos quilos eliminados. Isso acontece porque o metabolismo desacelera e os sinais de fome tendem a aumentar.

Nos últimos anos, medicamentos injetáveis à base de GLP-1 revolucionaram o tratamento da obesidade. Ainda assim, manter os resultados exige continuidade terapêutica, o que nem sempre é simples para todos os pacientes.

Foi justamente nesse cenário que os pesquisadores investigaram o potencial do orforglipron como alternativa oral para manutenção do emagrecimento.

Resultados impressionaram após um ano de acompanhamento

Novo GLP-1 oral mostrou resultados promissores. (Foto: Getty Images via Canva)
Novo GLP-1 oral mostrou resultados promissores. (Foto: Getty Images via Canva)

O ensaio clínico de fase 3b foi duplo-cego, randomizado e controlado por placebo. Os pesquisadores acompanharam participantes que anteriormente haviam perdido peso usando tirzepatida ou semaglutida.

Depois disso, os voluntários passaram a receber orforglipron ou placebo durante 52 semanas.

Os dados mostraram diferenças importantes entre os grupos.

Entre os participantes que haviam usado tirzepatida anteriormente:

• o grupo tratado com orforglipron manteve cerca de 74,7% da perda de peso
• o grupo placebo preservou aproximadamente 49,2%

Já entre aqueles previamente tratados com semaglutida:

• o orforglipron manteve 79,3% da redução de peso
• o placebo ficou em torno de 37,6%

Além disso, todos os principais objetivos secundários do estudo foram alcançados, reforçando a eficácia do tratamento.

Medicamento oral pode ampliar acesso ao tratamento

Um dos aspectos mais relevantes da pesquisa é o fato de o medicamento ser administrado por via oral. Isso pode facilitar a adesão de pacientes que têm dificuldade com aplicações injetáveis ou tratamentos mais complexos.

Outro ponto importante é a possibilidade de ampliar o acesso global às terapias contra obesidade, especialmente em regiões onde medicamentos injetáveis apresentam custo elevado ou logística mais difícil.

Os efeitos colaterais mais relatados foram gastrointestinais, incluindo náuseas e desconforto digestivo. No entanto, a maioria dos eventos foi considerada leve ou moderada.

O que essa descoberta pode representar no futuro

Os resultados reforçam o avanço dos medicamentos baseados em GLP-1 no combate à obesidade. Mais do que promover perda de peso rápida, a nova geração de tratamentos busca ajudar pacientes a manter os resultados no longo prazo, reduzindo o chamado efeito sanfona.

Embora o estudo ainda tenha limitações, como ausência de comparação direta com o uso contínuo dos medicamentos injetáveis, os dados sugerem que o orforglipron pode se tornar uma alternativa relevante no manejo da obesidade.

A pesquisa publicada na Nature Medicine amplia o interesse científico sobre tratamentos orais capazes de transformar o cuidado metabólico nos próximos anos.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn