Uma descoberta arqueológica feita na Escócia revelou que procedimentos odontológicos complexos já eram realizados há cerca de cinco séculos. Pesquisadores encontraram uma mandíbula humana contendo uma ponte dentária feita com fio de ouro, indicando que tratamentos dentários avançados existiam muito antes da odontologia moderna.
O achado ocorreu durante escavações na antiga Igreja de São Nicolau Leste, localizada na cidade de Aberdeen. A análise do material indicou que a mandíbula pertenceu a um homem de meia-idade que perdeu um dos dentes inferiores ainda em vida e recorreu a uma espécie de prótese artesanal para substituir a falha. O estudo foi conduzido pela Universidade de Aberdeen e publicado no British Dental Journal.
- A peça arqueológica tem aproximadamente 500 anos;
- O tratamento utilizava fio de ouro;
- A mandíbula apresentava sinais de doenças dentárias;
- O procedimento pode ter tido função estética e mastigatória.
Um tratamento sofisticado para a época
Os pesquisadores identificaram que o fio metálico estava preso entre dentes inferiores da mandíbula. O ouro havia sido enrolado cuidadosamente ao redor das raízes dentárias para sustentar um possível dente artificial ou estabilizar a região após a perda dentária.
Embora rudimentar para os padrões atuais, o método demonstra um conhecimento surpreendente sobre fixação e suporte dentário na época medieval.
Além disso, o uso de ouro sugere que o indivíduo provavelmente possuía certo status social. Durante aquele período, a aparência física e a condição dos dentes estavam frequentemente associadas à reputação e posição social.
A saúde bucal na Idade Média era muito diferente da atual
A análise detalhada da mandíbula também revelou sinais claros de problemas bucais. Entre eles estavam:
- Acúmulo intenso de placa bacteriana;
- Cáries em diferentes dentes;
- Retração gengival;
- Indícios de doença periodontal.
Esses problemas eram relativamente comuns séculos atrás, principalmente devido à ausência de higiene bucal adequada e da falta de tratamentos odontológicos modernos.
Mesmo assim, o achado mostra que algumas pessoas buscavam soluções para recuperar a mastigação e melhorar a aparência dos dentes, ainda que os procedimentos fossem desconfortáveis e bastante limitados.
Descoberta ajuda a entender evolução da odontologia
A descoberta oferece pistas importantes sobre a história da odontologia antiga e das primeiras tentativas humanas de substituir dentes perdidos.
Além disso, os pesquisadores acreditam que esse tipo de procedimento poderia representar não apenas uma necessidade funcional, mas também uma preocupação estética, algo muito presente na sociedade atual.
O caso reforça como a busca por tratamentos dentários acompanha a humanidade há séculos. Mesmo sem anestesia, instrumentos modernos ou conhecimento avançado sobre infecções, populações antigas já tentavam restaurar o sorriso usando os recursos disponíveis na época.
A ponte dentária encontrada na Escócia agora é considerada uma das evidências mais antigas desse tipo de procedimento no país e ajuda a revelar um lado pouco conhecido da medicina medieval.

