Entenda por que o risco cardíaco cresce após a menopausa 

Queda de estrogênio altera saúde do coração. (Foto: Getty Images via Canva)
Queda de estrogênio altera saúde do coração. (Foto: Getty Images via Canva)

A menopausa marca uma mudança importante no corpo feminino, e uma das consequências mais estudadas pela ciência é o aumento do risco de doenças cardíacas. Um novo estudo publicado na revista científica Scientific Reports (Guha, Rishi e Chini, 2026) ajuda a explicar, de forma mais clara, o que acontece por trás dessa alteração.

A pesquisa mostra que a queda do estrogênio, um hormônio que tem papel protetor no organismo, desencadeia uma série de mudanças que afetam o coração, o fígado e o sistema imunológico ao mesmo tempo.

O papel do estrogênio na proteção do coração

Antes da menopausa, o estrogênio ajuda a manter o equilíbrio do corpo feminino. Ele contribui para:

  • controle do colesterol
  • redução da inflamação
  • proteção dos vasos sanguíneos
  • melhor funcionamento do metabolismo

Quando seus níveis caem, esse equilíbrio é perdido. Como resultado, o organismo passa por alterações que aumentam a vulnerabilidade cardiovascular.

O que muda no corpo após a queda hormonal

O estudo publicado na Scientific Reports identificou um mecanismo importante envolvendo uma enzima chamada IDO1, ligada à inflamação.

Com a redução do estrogênio, essa enzima se torna mais ativa e provoca efeitos em cadeia:

  • aumento da inflamação no fígado
  • dificuldade do corpo em eliminar colesterol
  • piora do equilíbrio metabólico

Essas alterações contribuem para entender por que o corpo começa a operar em um estado de maior sobrecarga e desgaste fisiológico.

Colesterol e inflamação entram em desequilíbrio

Mudanças hormonais elevam colesterol após menopausa. (Foto: Getty Images via Canva)
Mudanças hormonais elevam colesterol após menopausa. (Foto: Getty Images via Canva)

Um dos pontos centrais do estudo é o impacto direto no colesterol. Sem a ação reguladora do estrogênio, ocorre:

  • aumento do colesterol LDL (ruim)
  • redução do colesterol HDL (bom)
  • maior acúmulo de gordura no sangue
  • tendência ao ganho de peso

Ao mesmo tempo, o corpo entra em um estado de inflamação generalizada, que afeta diferentes tecidos.

Um efeito que atinge o corpo inteiro

Os pesquisadores observaram que a queda do estrogênio não afeta apenas o coração ou o fígado isoladamente. Na prática, o organismo entra em uma espécie de “efeito dominó”:

  1. queda do estrogênio
  2. aumento da inflamação
  3. alteração no fígado
  4. desequilíbrio do colesterol
  5. maior risco cardiovascular

Esse conjunto ajuda a entender por que o risco de doenças cardíacas aumenta de forma mais evidente após a menopausa.

O que a reposição hormonal mostra

O estudo também analisou o efeito da reposição de estrogênio. Em muitos casos, ela foi capaz de reverter parte das alterações metabólicas e inflamatórias.

No entanto, esse tipo de tratamento não é simples. Isso porque, apesar dos benefícios cardiovasculares, ele pode estar associado a riscos em outras condições de saúde, exigindo avaliação individual.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn