Casos de hantavírus preocupam especialistas após morte confirmada no Sul do Brasil

Hantavírus exige atenção em áreas rurais. (Foto: Getty Images via Canva)
Hantavírus exige atenção em áreas rurais. (Foto: Getty Images via Canva)

O surgimento de novos casos de hantavírus no Sul do Brasil voltou a mobilizar autoridades sanitárias e especialistas em doenças infecciosas. A preocupação aumentou após a confirmação de uma morte no Rio Grande do Sul, estado que já apresenta histórico recorrente da doença nos últimos anos.

Embora a hantavirose seja considerada rara, sua evolução pode acontecer de forma extremamente rápida. Em alguns casos, o vírus provoca complicações severas nos pulmões e no coração, tornando o diagnóstico precoce essencial para aumentar as chances de sobrevivência.

Além do caso fatal registrado no Sul, outros estados brasileiros também confirmaram ocorrências recentes da doença, ampliando o alerta em diferentes regiões do país.

O tema ganhou ainda mais repercussão após um surto investigado em um cruzeiro internacional que saiu da Argentina, colocando novamente o hantavírus no centro das discussões sobre vigilância epidemiológica.

Hantavírus volta a circular com novos casos no Rio Grande do Sul 

Até o momento, o Rio Grande do Sul confirmou duas infecções recentes por hantavírus em áreas rurais. Um dos pacientes morreu após desenvolver complicações associadas à doença.

Além disso, Paraná e Minas Gerais também registraram novos casos e mortes nas últimas semanas, reforçando a preocupação das autoridades de saúde.

Apesar da repercussão, especialistas destacam que os casos brasileiros não possuem relação direta com o episódio investigado no cruzeiro internacional.

Nos últimos anos, o território gaúcho vem apresentando notificações frequentes de hantavirose. Os registros da doença apresentam variações ao longo dos anos, com 1 caso em 2020, 3 em 2021, 9 em 2022, seguido por uma queda para 6 em 2023, leve alta para 7 em 2024 e nova elevação para 8 casos em 2025. Agora, em 2026, o estado já confirmou novos episódios da infecção, incluindo um caso fatal, o que reforça a preocupação das autoridades de saúde com a circulação do vírus em áreas rurais.

Entenda como acontece a transmissão do hantavírus

Roedores silvestres são os principais transmissores. (Foto: Getty Images via Canva)
Roedores silvestres são os principais transmissores. (Foto: Getty Images via Canva)

A hantavirose é transmitida principalmente por roedores silvestres infectados. O vírus pode permanecer presente na urina, fezes e saliva desses animais.

Na maioria das situações, a infecção ocorre quando partículas contaminadas ficam suspensas no ar e acabam sendo inaladas pelas pessoas.

O risco costuma aumentar em locais como:

Galpões fechados
Celeiros
Depósitos
Áreas agrícolas
Ambientes com poeira acumulada

Um detalhe importante é que ratos urbanos comuns não são os principais transmissores da doença no Brasil, ao contrário do que muitas pessoas imaginam.

Sintomas podem começar leves e piorar rapidamente

Os sinais iniciais da hantavirose podem ser confundidos com gripe, dengue ou outras infecções virais comuns. Essa semelhança com outras doenças faz com que muitas pessoas acabem adiando a busca por atendimento médico.

Entre os sintomas mais frequentes estão:

Febre alta
Dor muscular intensa
Dor de cabeça
Náuseas
Dor lombar

No entanto, o quadro pode evoluir rapidamente para sintomas graves, como:

Falta de ar intensa
Tosse seca persistente
Taquicardia
Queda brusca da pressão arterial
Insuficiência respiratória

Nos casos mais severos, a doença pode desencadear a chamada síndrome cardiopulmonar por hantavírus, considerada uma condição de alta mortalidade.

Cruzeiro argentino colocou o hantavírus sob alerta mundial

O hantavírus voltou a ganhar destaque internacional após a investigação de casos registrados em um cruzeiro que partiu de Ushuaia, na Argentina, rumo a Cabo Verde.

Segundo informações acompanhadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), houve suspeita de transmissão entre passageiros durante a viagem pelo Oceano Atlântico.

O episódio chamou atenção global porque algumas variantes sul-americanas do vírus apresentam uma rara possibilidade de transmissão entre humanos, algo incomum na maior parte dos casos conhecidos.

Mesmo sem ligação epidemiológica com os registros brasileiros, o caso do navio aumentou o debate internacional sobre monitoramento sanitário, diagnóstico rápido e prevenção da doença.

Prevenção continua sendo a principal proteção

Especialistas reforçam que a prevenção ainda é a forma mais eficiente de reduzir o risco de contaminação.

Entre os principais cuidados recomendados estão:

Usar máscaras e luvas durante limpezas
Evitar levantar poeira em ambientes fechados
Manter depósitos ventilados
Armazenar alimentos corretamente
Higienizar superfícies com desinfetantes

Além disso, pessoas que desenvolverem sintomas após contato com áreas rurais ou ambientes fechados devem buscar atendimento médico rapidamente.

Mesmo rara, a hantavirose continua sendo uma doença de alta gravidade. E os casos recentes mostram que informação, vigilância e prevenção seguem fundamentais para evitar novas mortes e reduzir os riscos de transmissão.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn