A fertilidade feminina depende de vários fatores, e agora a alimentação aparece como um elemento muito importante. Um estudo recente de Adam T. Evans e colaboradores, publicado em 2025 na Frontiers in Public Health, revela que mulheres que consomem grandes quantidades de alimentos ultraprocessados podem ter mais dificuldade para engravidar.
Como o estudo foi realizado
Pesquisadores analisaram dados de mulheres entre 18 e 45 anos participantes do Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES), realizado nos Estados Unidos entre 2013 e 2018. A pesquisa considerou:
- Consumo alimentar em 24 horas, separando os alimentos ultraprocessados de produtos naturais ou minimamente processados.
- Histórico de infertilidade, baseado em perguntas sobre dificuldade para engravidar.
- Fatores adicionais, como idade, peso e hábitos de vida, que podem influenciar a fertilidade.
Entre as participantes, 11% relataram dificuldade para engravidar. Em média, 57% da dieta diária era composta por ultraprocessados, enquanto 29% eram alimentos naturais ou minimamente processados.
Por que os ultraprocessados afetam a fertilidade?
O estudo mostrou que mulheres com alto consumo de ultraprocessados apresentaram maior risco de infertilidade, principalmente quando o IMC (índice de massa corporal) não era considerado. Os ultraprocessados podem influenciar a fertilidade de várias formas:
- Inflamação sistêmica: açúcar, gordura ruim e aditivos podem aumentar processos inflamatórios que prejudicam os ovários e o útero.
- Deficiência nutricional: alimentos industrializados contêm menos vitaminas e minerais essenciais para a saúde dos óvulos.
- Desequilíbrios hormonais: compostos químicos e aditivos podem interferir nos hormônios que regulam o ciclo menstrual.
Além disso, o IMC atua como mediador nessa relação. Mulheres com sobrepeso ou obesidade podem ter o efeito negativo da dieta amplificado, tornando a concepção ainda mais difícil.
O que o estudo sugere para casais que desejam engravidar

O estudo reforça a importância de avaliar a alimentação antes da gravidez. Algumas recomendações práticas incluem:
- Reduzir refrigerantes, biscoitos industrializados, comidas prontas, fast-food e embutidos.
- Priorizar alimentos naturais, como frutas, vegetais, proteínas magras, ovos, oleaginosas e gorduras boas (como azeite e abacate).
- Manter um peso saudável e praticar atividades físicas regulares.
- Evitar exposição a aditivos e conservantes sempre que possível.
Essas mudanças simples podem melhorar a fertilidade feminina e também criar um ambiente uterino mais saudável, aumentando as chances de uma gravidez segura e de um desenvolvimento embrionário adequado.
A pesquisa destaca que a fertilidade começa no prato. Cada escolha alimentar feita antes da concepção pode impactar diretamente a saúde da mãe e do bebê, reforçando a ideia de que alimentação equilibrada e natural é essencial para quem deseja ter filhos.

