Março Azul-Marinho: padrão alimentar pode aumentar risco de câncer colorretal

Dieta inflamatória aumenta risco intestinal. (Foto: Yuliya Furman e Frennez via Canva)
Dieta inflamatória aumenta risco intestinal. (Foto: Yuliya Furman e Frennez via Canva)

O Março Azul-Marinho reforça um alerta essencial: o câncer colorretal está entre os tumores mais comuns no mundo, mas também é um dos mais preveníveis. Além do rastreamento regular, novas evidências científicas mostram que a qualidade da alimentação exerce papel decisivo no risco da doença.

Uma das pesquisas mais robustas sobre o tema foi publicada em janeiro de 2026 na Revista Americana de Nutrição Clínica. O estudo intitulado Padrões alimentares insulinêmicos e inflamatórios e risco de câncer colorretal: um estudo de harmonização de dados dietéticos com um milhão de participantes do Consórcio de Estudos de Metabolômica (COMETS), liderado por Ni Shi, analisou dados de aproximadamente um milhão de indivíduos (DOI: 10.1016/j.ajcnut.2025.10.016).

Os resultados fortalecem as recomendações de prevenção já defendidas por especialistas.

O que a alimentação tem a ver com o câncer de intestino

A pesquisa avaliou padrões alimentares associados a dois mecanismos importantes no desenvolvimento do câncer:

Resposta inflamatória crônica
Estímulo excessivo de insulina

Dietas classificadas como mais inflamatórias e mais insulinêmicas estiveram associadas a maior risco de desenvolvimento de câncer colorretal. Em outras palavras, não se trata apenas de um alimento isolado, mas do padrão alimentar ao longo do tempo.

Entre os fatores que contribuem para esse perfil alimentar de risco estão:

• Alto consumo de carnes processadas
• Excesso de alimentos ultraprocessados
• Baixa ingestão de fibras
• Consumo elevado de açúcares refinados

Por outro lado, padrões alimentares ricos em frutas, vegetais, grãos integrais e leguminosas apresentaram perfil metabólico mais favorável.

Inflamação e insulina: mecanismos silenciosos

A inflamação crônica de baixo grau pode favorecer alterações celulares e criar um ambiente propício ao crescimento tumoral. Já níveis elevados e persistentes de insulina podem estimular a proliferação celular.

Segundo os dados do estudo do consórcio COMETS, indivíduos com dietas que promovem maior inflamação e maior resposta insulínica apresentaram risco significativamente aumentado de câncer colorretal ao longo do acompanhamento.

Isso reforça que a prevenção vai além da genética e inclui escolhas cotidianas.

Rastreamento continua sendo fundamental

Embora a alimentação desempenhe papel central, o rastreamento permanece indispensável. A colonoscopia permite identificar e remover pólipos antes que se tornem malignos.

Os sinais de alerta incluem:

• Sangue nas fezes
• Alteração persistente do hábito intestinal
• Dor abdominal recorrente
• Perda de peso inexplicada

Entretanto, muitas pessoas permanecem assintomáticas nas fases iniciais, o que torna o exame preventivo ainda mais importante.

Prevenção na prática

Com base nas evidências científicas atuais, incluindo o estudo publicado na Revista Americana de Nutrição Clínica em 2026, algumas estratégias são essenciais:

  • Aumentar o consumo de fibras alimentares
  • Reduzir carnes processadas
  • Priorizar alimentos naturais
  • Manter peso saudável
  • Praticar atividade física regularmente
  • Evitar tabagismo e excesso de álcool

O Março Azul-Marinho é um convite à ação. A prevenção do câncer colorretal depende de informação, exames regulares e escolhas alimentares consistentes ao longo da vida.

Pequenas mudanças hoje podem representar grande impacto na saúde intestinal no futuro.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn