Minas Gerais deu um passo importante no enfrentamento das arboviroses ao iniciar a aplicação da vacina contra chikungunya em municípios estratégicos. A medida ocorre em um momento de aumento sazonal dessas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, mosquito também responsável pela dengue e zika.
As primeiras cidades contempladas foram Sabará e Congonhas. Na sequência, Santa Luzia e Sete Lagoas também passaram a receber as doses. Ao todo, o estado recebeu 28.800 unidades do imunizante.
Quem pode receber a vacina
O imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva, é indicado para pessoas entre 18 e 59 anos, residentes nos municípios selecionados.
No entanto, existem critérios clínicos importantes. Não podem se vacinar:
• Gestantes ou lactantes
• Pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas
• Pacientes em quimioterapia ou radioterapia
• Indivíduos com mais de uma comorbidade ou doenças crônicas descompensadas
Como a vacina utiliza vírus atenuado, esses grupos exigem avaliação diferenciada por segurança.
Cenário epidemiológico atual
Até o momento, Minas Gerais já registrou mais de mil casos confirmados de chikungunya neste ano, dentro de um total superior a 1.500 notificações prováveis. Embora não haja registro de mortes, o número acende alerta, especialmente considerando o histórico recente de circulação viral em algumas regiões.
A escolha dos municípios foi baseada em modelagem epidemiológica que estimou maior risco de surtos entre 2025 e 2027. Essa estratégia permite direcionar recursos para áreas com maior vulnerabilidade.
Evidências científicas e aprovação
O imunizante recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária em abril de 2025, após análise regulatória. Sua eficácia e segurança foram avaliadas em estudos clínicos conduzidos nos Estados Unidos e publicados na revista The Lancet.
Na pesquisa com cerca de 4 mil voluntários adultos, 98,9% desenvolveram anticorpos neutralizantes contra o vírus, demonstrando alta capacidade de resposta imunológica.
Além do Brasil, o imunizante também recebeu autorização regulatória no Canadá, Reino Unido e países da União Europeia.
Reações esperadas e segurança
Como ocorre com outras vacinas, podem surgir efeitos leves e transitórios, como:
• Dor de cabeça
• Náusea
• Febre
• Dor muscular e articular
• Reação local na aplicação
Esses sintomas costumam desaparecer espontaneamente em poucos dias.
Sintomas da chikungunya e impacto a longo prazo
A chikungunya é conhecida por provocar dores articulares intensas, que podem persistir por meses ou até anos. Entre os principais sintomas estão:
• Febre alta
• Dor nas articulações
• Manchas vermelhas na pele
• Dor atrás dos olhos
• Inchaço articular
Embora o tratamento seja baseado em analgesia e suporte clínico, casos mais graves podem exigir fisioterapia devido ao comprometimento musculoesquelético prolongado.
Estratégia de prevenção coletiva
A ampliação da vacinação busca reduzir o risco de epidemias e minimizar formas crônicas da doença. Inicialmente, as 28.800 doses são suficientes para cobrir cerca de metade do público-alvo nas cidades selecionadas, com previsão de novas remessas conforme a aplicação avança.
A incorporação da vacina ao sistema público amplia o acesso a uma tecnologia que, em outros países, possui custo elevado. Dessa forma, a estratégia fortalece a prevenção e reduz potenciais impactos sociais e econômicos da doença.
Em síntese, a chegada da vacina contra chikungunya em Minas Gerais representa avanço significativo na saúde pública. Aliada ao controle do mosquito e à vigilância epidemiológica, a imunização pode transformar o cenário das arboviroses nos próximos anos.

