Supernova raríssima pode revelar a velocidade real do universo

Atrasos na luz revelam nova forma de medir expansão do universo (Imagem: Fala Ciência via Gemini)
Atrasos na luz revelam nova forma de medir expansão do universo (Imagem: Fala Ciência via Gemini)

Um dos maiores desafios da astronomia moderna é determinar com precisão a velocidade de expansão do universo. Embora esse processo seja conhecido há décadas, os valores obtidos ainda apresentam divergências importantes. Nesse cenário, uma descoberta recente envolvendo uma supernova superluminosa pode oferecer uma solução inovadora e mais direta.

Localizada a aproximadamente 10 bilhões de anos-luz, essa explosão estelar se destaca não apenas por seu brilho intenso, mas por um efeito incomum que permitiu sua observação múltipla no céu.

  • Evento extremamente raro e altamente energético
  • Observado cinco vezes devido à lente gravitacional
  • Permite medições mais diretas da expansão do universo
  • Pode ajudar a resolver a tensão de Hubble

Quando a gravidade distorce a luz

O fenômeno responsável por esse efeito impressionante é a lente gravitacional. De acordo com a relatividade, objetos massivos como galáxias podem curvar o espaço-tempo, desviando a trajetória da luz.

Nesse caso, duas galáxias situadas entre a supernova e a Terra funcionaram como lentes naturais. Como consequência, a luz percorreu caminhos diferentes, chegando ao observador em momentos distintos. Isso fez com que a mesma explosão fosse registrada cinco vezes, em posições levemente diferentes no céu.

O detalhe na luz que pode resolver o conflito sobre a expansão do universo

Supernova com lente gravitacional pode resolver a tensão de Hubble (Imagem: Getty Images via Canva)
Supernova com lente gravitacional pode resolver a tensão de Hubble (Imagem: Getty Images via Canva)

Esses pequenos atrasos na chegada da luz não são apenas um detalhe curioso. Eles permitem calcular diretamente a constante de Hubble, que descreve a taxa de expansão do universo. Atualmente, existem dois métodos principais para essa medição:

  • A escada de distâncias cósmicas, baseada em observações de objetos próximos;
  • A análise da radiação cósmica de fundo, ligada ao universo primordial.

No entanto, os resultados obtidos por essas técnicas não coincidem, originando a chamada tensão de Hubble. Nesse contexto, o uso de supernovas com lente gravitacional surge como uma alternativa promissora, com menos etapas e menor margem de erro.

A pista cósmica rara que pode revelar a verdadeira expansão do universo

Além de sua raridade, esse sistema apresenta uma característica crucial: a distribuição de massa das galáxias envolvidas é relativamente simples. Isso facilita a modelagem matemática e aumenta a precisão das estimativas.

Os dados foram analisados em estudos publicados na revista científica Astronomy, com participação de pesquisadores como Stefan Taubenberger e colaboradores. Observações detalhadas também foram obtidas com telescópios equipados com tecnologias avançadas de correção atmosférica.

Com novas observações em andamento, esse fenômeno pode fornecer respostas mais confiáveis sobre a dinâmica do universo. Além disso, abre caminho para métodos independentes e mais precisos na cosmologia. Dessa forma, essa supernova não representa apenas um evento raro, mas uma oportunidade concreta de esclarecer um dos maiores enigmas da ciência atual: a real velocidade de expansão do universo.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes