Sertão da Paraíba guarda a maior pegada de dinossauro do Brasil

Maior pegada de dinossauro do Brasil foi encontrada no Sertão da Paraíba (Imagem: Divulgação)
Maior pegada de dinossauro do Brasil foi encontrada no Sertão da Paraíba (Imagem: Divulgação)

Uma descoberta impressionante no interior da Paraíba chamou a atenção da comunidade científica e pode reforçar ainda mais a importância paleontológica da região de Sousa. Pesquisadores identificaram o que pode ser a maior pegada de dinossauro já registrada no Brasil, com dimensões de aproximadamente 60 centímetros de comprimento e 55 centímetros de largura.

O achado foi feito em uma área rural próxima à conhecida região do Vale dos Dinossauros, um dos mais importantes sítios paleontológicos do país. Além disso, a marca fossilizada apresenta características que indicam a passagem de um grande dinossauro carnívoro do grupo dos abelissaurídeos, predadores que viveram durante o período Cretáceo, há cerca de 140 milhões de anos. Entre os principais pontos da descoberta estão:

  • Pegada tridáctila, com três dedos bem definidos;
  • Tamanho superior aos registros conhecidos no Brasil;
  • Possível relação com um grande Abelisaurus;
  • Nova evidência paleontológica no Sertão paraibano;
  • Reforço da necessidade de preservação da área.

Essa descoberta amplia o potencial científico da Bacia do Rio do Peixe, região já conhecida pela abundância de fósseis e rastros pré-históricos.

Um predador gigante deixou sua marca na rocha

A análise inicial sugere que o animal responsável pela pegada poderia medir cerca de 6 metros de comprimento, sendo um predador de grande porte para os padrões da fauna local conhecida até então.

Até agora, os registros mais comuns da região envolviam pegadas de dinossauros carnívoros menores, como pequenos terópodes. Por isso, a presença de um representante semelhante ao Abelisaurus torna o achado ainda mais relevante.

Descoberta gigante reforça a importância paleontológica do Vale dos Dinossauros (Imagem: Divulgação)
Descoberta gigante reforça a importância paleontológica do Vale dos Dinossauros (Imagem: Divulgação)

Esse grupo de dinossauros é mais frequentemente associado a fósseis encontrados na Argentina e em áreas da Patagônia. Dessa forma, identificar rastros semelhantes no Nordeste brasileiro ajuda a compreender melhor a distribuição desses animais pela América do Sul no passado.

A confirmação foi baseada em revisão bibliográfica, comparação com outros registros nacionais e também no uso de tecnologia de modelagem digital em três dimensões.

Tecnologia 3D ajuda a preservar a história do Cretáceo

Para estudar a pegada sem danificar o sítio, os pesquisadores utilizaram a técnica de fotogrametria digital, um método que reúne várias imagens sobrepostas para criar modelos tridimensionais extremamente precisos. Esse processo permite:

  • Documentar pegadas com alta fidelidade;
  • Criar um acervo digital permanente;
  • Facilitar futuras comparações científicas;
  • Ampliar o acesso para pesquisadores e estudantes.

Além do valor científico, existe uma preocupação urgente com a conservação do local. A pegada está situada em uma área com circulação de pessoas, veículos e animais, o que aumenta o risco de desgaste e destruição.

Por isso, medidas de proteção já começaram a ser planejadas, incluindo sinalização e alterações no trajeto de acesso rural. A expectativa é que, no futuro, a área receba ainda mais proteção e possa fortalecer a expansão de uma reserva geopaleontológica na região. Mais do que uma simples marca no chão, essa pegada representa um fragmento raro da história da vida na Terra.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes