Consumir pimenta pode reduzir doenças cardíacas, aponta estudo

Capsaicina pode beneficiar vasos e colesterol. (Aflo via Canva)
Capsaicina pode beneficiar vasos e colesterol. (Aflo via Canva)

Se você gosta de comida picante, há boas notícias: esse hábito pode estar fazendo mais pela sua saúde do que apenas agradar o paladar. Estudos recentes indicam que o consumo regular de pimentas está associado a menor risco de doenças cardiovasculares e até à redução da mortalidade geral.

Embora não seja uma solução milagrosa, incluir pimenta na dieta, mesmo que apenas algumas vezes por semana, pode gerar efeitos positivos relevantes ao longo do tempo.

O poder da ardência vai além do sabor

O principal responsável pelos benefícios da pimenta é a capsaicina, composto bioativo que dá a sensação de ardor. No entanto, seus efeitos vão muito além disso.

De acordo com o estudo publicado no Chinese Medical Journal por Dongfang You et al. (2025), a capsaicina pode:

  • Melhorar o metabolismo do colesterol
  • Estimular a produção de óxido nítrico, favorecendo os vasos sanguíneos
  • Reduzir o estresse oxidativo
  • Contribuir para a saúde cardiovascular

Esses mecanismos ajudam a explicar por que o consumo de alimentos picantes tem sido associado a melhores desfechos de saúde.

Evidências robustas em grandes populações

Os resultados mais impressionantes vêm de estudos com milhares de participantes. O trabalho publicado no Chinese Medical Journal acompanhou cerca de 486 mil adultos por mais de uma década e encontrou uma associação clara: pessoas que consumiam alimentos picantes regularmente apresentavam menor risco de doenças vasculares, especialmente doença cardíaca isquêmica.

Além disso, outras pesquisas reforçam essa relação. Um estudo publicado na PLOS One por Larner College of Medicine (2017) analisou mais de 16 mil adultos e identificou que o consumo de pimentas estava ligado a uma redução de 13% no risco de morte.

Já uma análise apresentada nas Sessões Científicas da American Heart Association (2020), reunindo dados de mais de 570 mil pessoas, mostrou que consumidores frequentes de pimenta tiveram:

  • 26% menos risco de morte por doenças cardiovasculares
  • 25% menos risco de morte por todas as causas

Esses dados reforçam um padrão consistente observado em diferentes populações.

Qual a quantidade ideal?

Pimenta pode ajudar a proteger o coração. (Pexels via Canva)
Pimenta pode ajudar a proteger o coração. (Pexels via Canva)

Apesar dos resultados promissores, a ciência ainda busca entender a dose ideal. No entanto, há um consenso emergente: o consumo moderado parece oferecer os melhores benefícios.

No estudo de Dongfang You et al. (Chinese Medical Journal, 2025), até mesmo o consumo de pimenta uma ou duas vezes por semana já foi associado a efeitos positivos.

Isso significa que não é necessário exagerar. Pelo contrário, o equilíbrio é fundamental.

Nem toda pimenta é igual

Outro ponto importante é que o nível de ardência varia bastante. Entender isso ajuda a incluir a pimenta de forma mais confortável na dieta:

  • Suaves: poblano, banana, anaheim
  • Moderadas: jalapeño, serrano
  • Intensas: habanero, tailandesa

Assim, é possível adaptar o consumo de acordo com a tolerância individual.

Equilíbrio é a chave

Adicionar pimenta às refeições pode ser uma estratégia simples para melhorar a qualidade da dieta. No entanto, é importante lembrar que os benefícios estão ligados a um estilo de vida saudável como um todo.

Ou seja, a pimenta pode ser uma aliada, mas não substitui uma alimentação equilibrada.

Portanto, se você aprecia um toque picante, há bons motivos para manter esse hábito com moderação.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn