A luz sempre foi associada à iluminação, ao calor e à energia. No entanto, ela também exerce força física sobre a matéria e agora cientistas descobriram que esse efeito pode ser ainda mais surpreendente do que se imaginava.
Pesquisadores da Universidade de Hokkaido, no Japão, demonstraram que a luz não apenas empurra objetos na direção do feixe, mas também pode fazê-los girar e se mover lateralmente, em uma direção perpendicular ao caminho da própria luz.
Essa descoberta revela um novo comportamento da chamada pressão de radiação da luz, um fenômeno estudado desde os trabalhos de James Clerk Maxwell, no século XIX, e que agora ganha aplicações ainda mais promissoras na nanotecnologia.
Quando a luz deixa de apenas iluminar
A pressão da luz acontece porque os fótons carregam momento, ou seja, conseguem transferir força quando atingem uma superfície. Esse princípio já é utilizado em diversas áreas, como:
- Pinças ópticas que manipulam partículas microscópicas;
- Estudos de moléculas individuais na biofísica;
- Projetos de velas solares para exploração espacial;
- Sistemas de precisão em nanotecnologia.
Até então, acreditava-se que esse empurrão ocorria principalmente na mesma direção em que a luz se propagava. O novo estudo mostrou algo diferente: certos objetos podem ser torcidos lateralmente, como se a luz os empurrasse “de lado”.
O microdrone que ampliou forças invisíveis

Para observar esse fenômeno, os pesquisadores criaram uma plataforma chamada microdrone, uma estrutura minúscula em forma de cruz capaz de sustentar nanoestruturas em seu centro.
Quatro feixes de laser funcionam como pinças ópticas, mantendo a plataforma suspensa e estável. A partir daí, qualquer pequeno movimento ou rotação causado pela luz pode ser medido com muito mais precisão.
Esse sistema permitiu algo inédito: mapear forças e torques ópticos em três dimensões completas, superando limitações dos métodos anteriores.
Na prática, o microdrone transforma forças extremamente pequenas, quase impossíveis de detectar diretamente, em movimentos maiores e mensuráveis.
O estranho giro lateral da luz
Durante os testes, os cientistas analisaram nanoestruturas de ouro em formato de V e perceberam um comportamento inesperado chamado torque óptico transversal. Em vez de girarem no mesmo eixo da luz, essas estruturas passaram a se torcer lateralmente.
Esse resultado contrariou previsões teóricas anteriores. O esperado era que esse movimento dependesse do momento angular da luz, mas os experimentos mostraram outra explicação: a chamada helicidade óptica, relacionada à forma como o campo eletromagnético da luz se torce.
Essa propriedade está ligada à quiralidade da luz, um conceito importante em física avançada e no estudo de interações em nanoescala.
O que isso pode mudar no futuro?
Compreender esse novo tipo de controle abre caminho para tecnologias extremamente precisas. Entre as possíveis aplicações estão:
- Nanomáquinas movidas por luz;
- Sensores ultrassensíveis;
- Sistemas avançados de manipulação molecular;
- Novos dispositivos industriais em escala nanométrica.
Além disso, o estudo inaugura uma nova etapa da optomecânica, área que investiga como a luz interage com objetos microscópicos.
Mais do que uma curiosidade da física, essa descoberta mostra que a luz pode ser uma ferramenta poderosa para controlar matéria com precisão quase invisível e isso pode transformar o futuro da ciência e da tecnologia.

