Canetas emagrecedoras podem acelerar perda muscular em idosos, aponta estudo

Idosa aplica injeção de semaglutida na barriga para tratamento. (Foto: Fala Ciência via Gemini)
Idosa aplica injeção de semaglutida na barriga para tratamento. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, como a semaglutida, tornaram-se extremamente populares nos últimos anos. Essas medicações são amplamente utilizadas no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, ajudando a reduzir o apetite e favorecer a perda de peso.

Embora seus benefícios metabólicos sejam bem documentados, novas pesquisas indicam que o uso desses medicamentos em pessoas idosas pode exigir atenção especial. Um estudo publicado na revista científica Drug Design, Development and Therapy em julho de 2025 sugere que a semaglutida pode estar associada à perda de massa muscular e declínio funcional em adultos mais velhos.

Essa descoberta reforça a importância de avaliar cuidadosamente os riscos e benefícios do tratamento, principalmente após os 60 anos.

O que o estudo científico descobriu

A pesquisa analisou 432 idosos com diabetes tipo 2, divididos em dois grupos. Um grupo recebeu tratamento com semaglutida, enquanto o outro serviu como grupo de comparação.

Durante 24 meses de acompanhamento, os pesquisadores avaliaram diversos parâmetros físicos importantes para o envelhecimento saudável, incluindo:

massa muscular esquelética
força de preensão manual
velocidade de caminhada
índice de massa corporal (IMC)

Os resultados mostraram que, embora a semaglutida tenha reduzido o peso corporal, também houve diminuição da massa muscular em comparação ao grupo controle.

Além disso, alterações no desempenho físico foram observadas. A velocidade de caminhada diminuiu em homens e mulheres, e a força muscular apresentou queda progressiva ao longo do tempo em parte dos participantes.

Essas mudanças são relevantes porque estão associadas ao desenvolvimento de sarcopenia, condição caracterizada pela perda de massa e força muscular durante o envelhecimento.

Por que a perda muscular preocupa na terceira idade

Na população idosa, a massa muscular exerce um papel fundamental na manutenção da independência e da mobilidade.

A perda de massa muscular eleva a probabilidade de várias complicações de saúde, como:

quedas e fraturas
redução da mobilidade
maior dependência para atividades diárias
piora da qualidade de vida

Segundo o estudo publicado na Drug Design, Development and Therapy em 2025, o uso de semaglutida foi associado a maior risco de perda muscular e declínio funcional, especialmente em pacientes que já apresentavam sinais de sarcopenia.

Outro fator importante identificado pelos pesquisadores foi a dose do medicamento, que apareceu como um dos preditores independentes para a perda muscular observada durante o tratamento.

Emagrecimento rápido exige estratégia cuidadosa

Apesar dessas observações, os autores ressaltam que a semaglutida continua sendo um medicamento importante no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.

No entanto, os resultados indicam que, em pacientes idosos, o tratamento deve ser acompanhado de medidas adicionais para preservar a saúde muscular.

Entre as estratégias recomendadas estão:

monitoramento da composição corporal
avaliação regular da força muscular
nutrição adequada com ingestão de proteínas
programas de exercícios focados em fortalecimento

Essas medidas podem ajudar a reduzir os efeitos negativos associados à perda de massa magra.

Uso em idosos deve ser individualizado

A pesquisa conclui que o tratamento com semaglutida em adultos mais velhos deve ser conduzido com avaliação individualizada, levando em consideração fatores como idade, estado nutricional e presença de sarcopenia.

Segundo o estudo publicado na Drug Design, Development and Therapy em 2025, acompanhar de perto a evolução da massa muscular e da função física pode ser essencial para garantir que a perda de peso não venha acompanhada de prejuízos à saúde funcional.

Assim, embora as canetas emagrecedoras representem um avanço no tratamento metabólico, seu uso na terceira idade precisa ser feito com cautela, acompanhamento médico e estratégias para preservar a musculatura.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn