Café muda preferências alimentares e reduz carboidratos no dia-a-dia, diz pesquisa

Cafeína influencia escolhas alimentares. (Foto: Pexels via Canva)
Cafeína influencia escolhas alimentares. (Foto: Pexels via Canva)

O café faz parte da rotina de milhões de pessoas, mas seus efeitos vão muito além de manter o estado de alerta. Um estudo recente sugere que essa bebida pode alterar diretamente o consumo de alimentos, influenciando a quantidade de calorias ingeridas ao longo do dia.

Publicada na revista científica Dietetics, a pesquisa conduzida por Evgenia Lazou e colaboradores em 2025 investigou como o café impacta o apetite e a ingestão de macronutrientes em curto prazo. Os resultados chamam atenção e ajudam a entender melhor o papel da cafeína na alimentação.

O café realmente reduz a fome?

Os dados indicam que o consumo de café pode exercer um efeito anorexígeno, ou seja, uma redução temporária do apetite.

No estudo, voluntários consumiram café ou água antes de uma refeição. Em seguida, tiveram acesso livre a um buffet. O resultado foi claro:

  • Menor ingestão de calorias após o consumo de café
  • Redução no consumo de carboidratos e gorduras
  • Efeito que se manteve por várias horas

De acordo com o estudo, os participantes que ingeriram café consumiram cerca de 10% menos calorias ao longo do dia.

Impacto direto nos macronutrientes

Estudo liga café a menor ingestão de carboidratos. (Foto: Pexels via Canva)
Estudo liga café a menor ingestão de carboidratos. (Foto: Pexels via Canva)

Além da redução calórica geral, o estudo observou mudanças específicas nos macronutrientes:

  • Carboidratos: redução de até 27% no consumo ao longo do dia
  • Gorduras (lipídios): queda significativa no curto prazo
  • Proteínas: leve redução inicial, sem impacto relevante depois

Esses dados reforçam que o café não apenas diminui o apetite, mas também modifica as preferências alimentares.

Por que isso acontece no organismo?

O principal responsável por esses efeitos é a cafeína, um composto bioativo que atua diretamente no sistema nervoso central.

Entre os possíveis mecanismos estão:

  • Estímulo da termogênese, aumentando o gasto energético
  • Alteração de hormônios relacionados à fome e saciedade
  • Influência nos centros cerebrais que regulam o apetite

Além disso, fatores individuais também interferem, como:

  • Genética
  • Hábitos alimentares
  • Estilo de vida
  • Metabolismo da cafeína

Por isso, os efeitos do café podem variar de pessoa para pessoa.

Nem sempre o efeito é o mesmo

Apesar dos resultados promissores, a relação entre café e alimentação ainda é considerada complexa e variável.

A própria pesquisa destaca que outros estudos já encontraram resultados diferentes, incluindo:

  • Ausência de efeito no apetite
  • Aumento da ingestão de certos alimentos
  • Influência do ambiente e do contexto social

Ou seja, o impacto do café depende de múltiplos fatores e não deve ser visto como uma solução isolada.

Café pode ajudar no controle de peso?

Os achados sugerem que o café pode contribuir para o controle alimentar, principalmente no curto prazo. No entanto, é importante considerar alguns pontos:

  • O efeito é temporário
  • Não substitui uma alimentação equilibrada
  • Pode variar conforme o organismo

Portanto, o café pode ser um aliado, mas não deve ser encarado como estratégia única para emagrecimento.

Segundo o estudo, esse efeito pode estar ligado à ação da cafeína sobre o apetite e o metabolismo. Ainda assim, mais pesquisas são necessárias para entender completamente essa relação.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes