Consumo frequente desse alimento mostrou proteção cerebral em idosos 

Nutrientes alimentares podem favorecer o cérebro. (Foto: Getty Images via Canva)
Nutrientes alimentares podem favorecer o cérebro. (Foto: Getty Images via Canva)

Durante anos, um alimento básico da alimentação diária esteve no centro de uma intensa controvérsia nutricional. Enquanto parte dos especialistas alertava para seus possíveis impactos no colesterol, outras pesquisas começavam a sugerir um papel muito diferente: o de protetor da saúde cerebral.

No entanto, um novo estudo divulgado no The Journal of Nutrition (2026) fortalece essa hipótese e apresenta um resultado relevante: a ingestão frequente desse alimento foi ligada a uma queda de até 27% no risco de Alzheimer.

Ovos entram no centro da discussão científica

O estudo analisou dados de quase 40 mil pessoas com 65 anos ou mais, acompanhadas por mais de 15 anos. Nenhum dos participantes apresentava diagnóstico de Alzheimer no início da pesquisa.

Ao longo do período, os pesquisadores observaram que o padrão alimentar envolvendo ovos de galinha esteve consistentemente ligado a menores taxas da doença neurodegenerativa.

Os resultados mostraram uma relação gradual:

  • consumo mensal: redução de cerca de 17% no risco
  • consumo semanal: queda de aproximadamente 20%
  • consumo frequente (5+ vezes por semana): redução de até 27%

Esses dados foram ajustados para fatores como estilo de vida, dieta geral e condições de saúde, fortalecendo a consistência da associação.

Nutrientes que alimentam o cérebro

Os ovos se destacam por concentrarem nutrientes diretamente ligados à função cognitiva. Entre os principais compostos estão:

  • Colina, essencial para memória e comunicação neuronal
  • Vitamina B12, importante para a saúde neurológica
  • Luteína, associada à proteção contra estresse oxidativo
  • Ômega-3 (DHA), ligado à integridade das células cerebrais

Esses componentes atuam em diferentes frentes, como redução de inflamação, manutenção das membranas neuronais e suporte à formação de neurotransmissores.

Mais do que proteína: o impacto do alimento inteiro

Ovos foram associados a menor risco de Alzheimer. (Foto: Pixabay via Canva)
Ovos foram associados a menor risco de Alzheimer. (Foto: Pixabay via Canva)

Um ponto importante observado no estudo é que os benefícios foram associados ao consumo do ovo completo, incluindo gema e clara.

Isso ocorre porque a maior parte dos nutrientes neuroprotetores está concentrada na gema, especialmente a colina, que representa mais de 90% desse composto no alimento.

Além disso, análises complementares sugerem que substituir ovos por outros alimentos ricos em proteínas, como feijões ou sementes, não gera o mesmo nível de proteção cognitiva.

Um olhar equilibrado da ciência nutricional

Apesar das evidências positivas, os pesquisadores destacam que os ovos não devem ser encarados como um fator único de proteção contra o Alzheimer. Em vez disso, o efeito parece depender do contexto geral da alimentação.

Outro ponto relevante é que estudos anteriores, incluindo pesquisas sobre saúde cardiovascular, já indicaram que o consumo moderado de ovos dentro de uma dieta equilibrada não está associado a aumento de risco cardíaco e pode até trazer benefícios metabólicos.

Como o preparo também pode influenciar

Embora o estudo não tenha analisado métodos de preparo, a literatura nutricional sugere que isso pode alterar o impacto final do alimento.

Formas mais comuns incluem:

  • cozidos (melhor preservação nutricional)
  • mexidos com pouca gordura
  • fritos (podem adicionar gordura saturada dependendo do óleo usado)

Os resultados publicados no The Journal of Nutrition (2026) indicam que a alimentação pode exercer influência direta sobre o envelhecimento cerebral. Ainda que não exista prevenção absoluta para doenças como Alzheimer, padrões alimentares ricos em nutrientes específicos parecem desempenhar papel relevante na proteção cognitiva ao longo do tempo.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn